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Patas queimadas e fome: voluntários salvam animais dos incêndios da Califórnia

Patas queimadas e fome: voluntários salvam animais dos incêndios da Califórnia

Um grupo de veterinários voluntários tem resgatado e tratado os animais feridos nos grandes incêndios da Califórnia, nos Estados Unidos. O The Wildlife Disaster Network patrulha as áreas queimadas à procura de criaturas que precisam de ajuda, muitas vezes com patas queimadas, fome e desidratação.

Este ano, o Wildlife Disaster Network e outros grupos do género estão mais ocupados do que nunca, devido aos fogos devastadores que avançam naquele estado norte-americano a um ritmo surpreendente. Até agora, já foram registados 6600 incêndios que, ao todo, queimaram quase 607 mil hectares, destruíram 1852 estruturas e feriram um número incalculável de animais.

O grupo de voluntários resulta de uma parceria entre uma escola veterinária e o departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia. Eles recebem frequentemente chamadas de bombeiros e socorristas que se encontram nas zonas de incêndios e, a seguir, solicitam a autorização das entidades oficiais para poderem procurar animais selvagens feridos. Depois de capturados, são transportados para instalações de resgate, onde às vezes passam meses a receber tratamento e a recuperar dos ferimentos.

No entanto, só a tarefa de localizar os animais pode ser muito cansativa e demorada. "Alguns desses dias envolvem caminhar de 10 a 15 horas através das cinzas, que chegam à cintura, até à zona vermelha. Às vezes podemos passar o dia inteiro à procura de um animal e não encontrá-lo", explicou Eric Johnson, veterinário do grupo Wildlife Disaster Network, ao jornal "The Guardian".

Os voluntários passaram cerca de 12 horas a trabalhar no incêndio de Antelope, de quase 26 mil hectares, no condado de Siskiyou, onde contaram os animais mortos e feridos e procuraram animais selvagens que pudessem ajudar.

"A vida selvagem faz parte da comunidade"

Poucos dias depois, os bombeiros viram um urso bebé a caminhar ao longo de uma estrada na área queimada da Serra Nevada, perdido e com as patas queimadas, e ligaram para o grupo de resgate. "O bebé estava abaixo do peso e parecia desnutrido. Tinha queimaduras nas quatro patas. Montámos uma armadilha e ele desceu", contou Johnson, que respondeu à chamada dos bombeiros e participou no resgate do animal. "Lavámos e limpámos as queimaduras dele e percebemos que tinha uma boa chance de sobreviver com reabilitação e cuidados médicos". O animal foi ferido no incêndio de Dixie, de 283 mil hectares.

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"É um grande alívio para nós quando realmente encontramos os animais. A comunidade e os socorristas apegam-se realmente a esses animais. A vida selvagem faz parte da comunidade", afirmou o veterinário.

A Gold Country Wildlife Rescue, uma organização sem fins lucrativos que reabilita e liberta animais selvagens feridos, está a tratar de vários animais resgatados de zonas de incêndio, juntamente com pássaros, esquilos e raposas que não foram feridos nos fogos. Eles estão a cuidar de dois ursos bebés, incluindo o do incêndio de Dixie, e um lince ferido no incêndio Lava.

O urso bebé do incêndio de Dixie está a receber líquidos e os veterinários estão a tratar das queimaduras de segundo e terceiro graus com mel Manuka de uso médico. Eles estão otimistas quanto à sua recuperação. O animal ainda não tem muito apetite, mas gosta de melão.

Normalmente, o centro de resgate recebe mais animais feridos por incêndios florestais no outono, mas este verão tem sido especialmente agitado, revela Sallysue Stein, fundadora e diretora-executiva da organização. "Às vezes, [os ferimentos] são tão críticos que é necessário administrar líquidos e antibióticos durante alguns dias. Nós damos-lhes alguns dias para ver se podem recuperar e regenerar", relatou.

Os animais resgatados recebem tratamentos como pulso eletromagnético e terapias de laser frio, acupuntura, um creme especialmente formulado para queimaduras e ligaduras, que Stein disse ter ajudado alguns animais gravemente feridos a recuperar o suficiente para serem libertados.

Stein alerta que existem milhares de animais feridos que precisam de ajuda e confessa que é difícil ver os animais a sofrer, mas o centro de resgate e os veterinários são recompensados ​​ao vê-los recuperar e voltar para a natureza.

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