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Patriarca quer uma Igreja com mais peso na Rússia

Patriarca quer uma Igreja com mais peso na Rússia

Kirill, metropolita de Smolensk e Kalininegrado, foi entronizado patriarca da Igreja Ortodoxa Russa. Chefe supremo, mas abaixo do Santo Sínodo, é visto como liberal, mas não deixa de ser um conservador.

Sucessor de Alexis II, que morreu em Dezembro, o novo patriarca de Moscovo e de rodas as Rússias, que já liderava os destinos da Igreja desde então, foi aclamado com o tradicional grito "Axios, axios, axios!" ("é digno", em grego), pelos cerca de quatro mil convidados presentes na catedral de Cristo Salvador, no coração da capital russa. Kirill, sabe-se, quer que a Igreja Ortodoxa desempenha um papel mais preponderante na vida da Rússia, mas não se espera qualquer revolução religiosa: entre os que o aclamaram e saudaram estavam o presidente Dmitri Medvedev e o homem de quem se diz comandar ainda e sempre os destinos do país, o primeiro-ministro Vladimir Putin, que estarão muito atentos a todas as movimentações.

O dia de ontem foi de solenidade e de festa. Chegado à catedral numa limusina preta, depois de os sinos terem repicado ininterruptamente durante um quarto de hora, Kirill, filho e neto de padres ortodoxos, foi o centro de uma cerimónia repleta de tradição, erguendo-se entre uma multidão de bispos em vestes douradas. Espera-se dele, porém, que transcenda a tradição.

Contrariamente aos antecessores, o novo patriarca domina a arte da comunicação, sendo conhecidíssimo em todo o país por ter apresentado programas sobre religião na televisão estatal. Significa isso que é um modernizador? Estabelecer uma nova doutrina social da Igreja, tornando-a mais interventiva e aberta, é uma das metas do patriarca. Uma meta de modernidade. Mas nos temas que a sociedade entende como actuais, como o aborto e homossexualidade, é firmemente conservador.

Para o Ocidente é relevante a circunstância de a eleição e entronização de Kirill significar um passo em frente no diálogo ecuménico. O Papa Bento XVI saudou a escolha de um homem que conhece bem, pois era uma espécie de ministro dos Negócios Estrangeiros do anterior patriarca, e os tímidos passos de reconciliação que tem sido dados poderão, agora, ser mais largos. Isso apesar de o todo da Igreja Ortodoxa ainda se ressentir de um certo proselitismo católico, acentuado após a queda do comunismo.

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