Cinema

Pedófilo que fez música de "Joker" não vai ganhar dinheiro com o filme

Pedófilo que fez música de "Joker" não vai ganhar dinheiro com o filme

Gary Glitter, a cumprir pena de 16 anos de prisão desde 5 de fevereiro de 2015 por abuso sexual de menores, é o autor de uma música que entra no filme "Joker", em exibição nos cinemas portugueses. Ao contrário do que tinha sido levantado como hipótese, a utilização de "The Hey Song" na obra de Todd Phillips não vai valer dinheiro ao britânico, de 75 anos.

Numa das últimas cenas de "Joker", a personagem interpretada por Joaquin Phoenix, ator apontado ao Óscar, dança ao som de "The Hey Song", da autorida de Gary Glitter (Paul Francis Gadd de nascença), astro do rock da década de 70, que está a cumprir no Reino Unido, desde fevereiro de 2015, uma pena de prisão de 16 anos por crimes sexuais contra menores.

A utilização da música originou relatos segundo os quais Glitter poderia receber uma quantia elevada como qualquer um dos compositores creditados. Mas, em declarações ao "LA Times", a editora Snapper Music, uma das donas do reportório de Glitter, esclareceu que o homem nada vai receber. "Gary Glitter não vai ser pago - não tivemos contacto com ele", informou.

Por outro lado, escreve a imprensa norte-americana, a editora de música Universal Music Publishing Group, também detentora dos direitos de autor das músicas do artista, "não lhe vai pagar 'royalties' nem fazer outros pagamentos".

Nascido em 1944, no Reino Unido, Gary Glitter atingiu uma fama fugaz em 1972 com a música "Rock and Roll, Parts I and II", mais conhecida por "The Hey Song". O mesmo tema já passou na série "The Office", em 2006, num episódio da terceira temporada.

O filme protagonizado por Joaquin Phoenix, o grande vilão de Gotham City e inimigo de Batman, tem sido um sucesso e quebrou recordes para filmes da DC Comics no fim de semana da estreia. A obra de Todd Phillips levou mais de 155 mil espetadores às salas de cinema, rendendo quase 900 mil euros em receita bruta de bilheteira. Nos EUA, o filme, que venceu o Festival de Veneza, alcançou, só na noite de estreia, uma receita equivalente a 12,1 milhões de euros.

Os problemas de Glitter com a justiça devido a crimes sexuais com menores começaram em 1999, quando foi condenado a quatro meses de prisão e colocado na lista de pedófilos, após terem sido descobertas milhares de imagens de pornografia infantil num seu computador. Cumprida a pena, Glitter deixou o Reino Unido e acabou por rumar ao Sudeste Asiático, estabelecendo-se no Vietmane em 2005. Aí viria a ter problemas com a justiça, outra vez por crimes sexuais contra menores, sendo condenado a três anos de cadeia.

Deportado para o Reino Unido em 2008, depois de 19 países lhe terem recusado vistos de entrada, viu-se de novo a contas com a justiça britânica em 2012, quando foi apanhado numa investigação do canal ITV ao famoso apresentador da BBC Jimmy Saville, falecido no ano anterior, por crimes sexuais contra menores. Suspeito de ter violado uma jovem de 13/14 anos no camarim de Saville, Glitter acabou detido no âmbito da operação policial "Yewtree". Foi levado a julgamento e condenado a 5 de feveiro de 2015 a 16 anos de prisão.

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