Covid-19

Pelo menos seis mortos por falta de oxigénio no estado brasileiro do Pará

Pelo menos seis mortos por falta de oxigénio no estado brasileiro do Pará

Pelo menos seis pessoas morreram asfixiadas, nas últimas 24 horas, por falta de oxigénio nos hospitais do município brasileiro de Faro, no estado do Pará, informou a autarquia à imprensa local.

O município de Faro, que vem sofrendo um colapso da rede de Saúde devido à falta de oxigénio, medicamentos e camas de hospital para o tratamento de pacientes com covid-19, fica na fronteira com o Amazonas, estado que enfrenta uma situação semelhante e que teve de transferir dezenas de infetados para outras cidades, para receberem oxigénio.

De acordo com o jornal Estadão, o município de Faro tenta também transferir oito doentes que estão em estado grave e que necessitam com urgência de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

"Nós estamos a viver uma crise, na contramão para tentar salvar vidas. Estamos a trabalhar 24 horas para isso", disse o médico da Unidade Básica de Saúde de Faro, Yordanes Perez.

Faro junta-se assim a Manaus, capital do Amazonas, que, desde quinta-feira, vive uma grave crise de saúde devido à falta de camas em hospitais e de oxigénio para pacientes com covid-19 que estão ligados a ventiladores mecânicos, sendo que alguns morreram asfixiados.

O caos vivido na capital amazonense e as cenas de correrias em hospitais, médicos desesperados e exaustos, cemitérios lotados e familiares de pacientes implorando por oxigénio ou comprando no mercado negro causaram comoção e intensa mobilização em todo o Brasil, com o Governo a colocar à disposição aeronaves militares para transporte de pacientes e de material hospitalar.

Imagens que circularam nas redes sociais, na semana passada, mostravam as próprias famílias de pacientes a transportar para os hospitais tanques de oxigénio que adquiriram por conta própria.

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Manaus aguarda a chegada de cinco camiões com 107 mil metros cúbicos de oxigénio doados pela Venezuela, e que cruzaram a fronteira com o Brasil no domingo.

O prefeito de Manaus, David Almeida, recusou na segunda-feira, em declarações à Lusa, qualquer responsabilidade da sua gestão pela falta de oxigénio nos hospitais da região, e responsabilizou as pressões ambientais internacionais por isolarem aquela cidade amazónica.

Segundo o autarca, o abastecimento de consumíveis, como oxigénio, para Manaus (cidade localizada na floresta Amazónia), depende do asfaltamento de um segmento de cerca de 400 quilómetros da estrada BR-319, que faz a ligação a Porto Velho, capital estadual de Rondônia, e que é a única ligação terrestre entre Manaus e o resto do Brasil.

Questionado sobre o ponto de situação atual nos hospitais, o prefeito afirmou que os níveis de oxigénio estão "estabilizados", mas "não normalizados".

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de mortos (210.299, em mais de 8,5 milhões de casos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.041.289 mortos resultantes de mais de 95,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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