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Perdeu o pai e a mãe no mesmo dia por falta de oxigénio em hospital de Manaus

Perdeu o pai e a mãe no mesmo dia por falta de oxigénio em hospital de Manaus

"Aterrorizante". É o adjetivo usado por um cidadão brasileiro para descrever o que viu e sentiu ao acompanhar os pais num hospital de Manaus, no Brasil. Morreram ambos, no mesmo dia, devido às falhas de abastecimento de oxigénio na capital da Amazónia.

Iyad Hajoj perdeu os pais no mesmo dia, no espaço de uma hora. Estavam ambos internados no Hospital Getúlio Vargas, o pai na Unidade de Cuidados Intensivos e a mãe na enfermaria. Sucumbiram à falta de oxigénio que se agravou nos hospitais de Manaus, no Brasil, com o recrudescimento dos casos de covid-19 naquela cidade na falda da Amazónia.

"Foi o dia mais aterrorizante, que não desejo para absolutamente ninguém", contou Iyad Hajoj. "Fui infetado pela covid porque tive que cuidar dos dois e tive que reconhecer os corpos", explicou em declarações ao portal de notícias brasileiro "G1", ao recordar que visitou os pais, na quinta-feira, e que em momento algum foi informado da falta de oxigénio que lançou o caos nos hospitais de Manaus.

A mesma quinta-feira em que correram o Mundo os vídeos que deram rosto e voz ao desesperto de brasileiros que viam familiares a morrer por falta de oxigénio no hospital. "O mínimo que podiam fazer era ter o básico: que era ar. Entendemos que estamos num momento crítico, mas faltar o básico é algo irreparável", disse Iyad.

Meses depois de ser notícia pelas valas comuns e pelos funerais em massa, a capital do estado de Amazonas, no chamado "pulmão verde da Terra", vive há semanas uma nova vaga da epidemia, que saturou os hospitais e esgotou as reservas de oxigénio.

Na sexta-feira, dezenas de pessoas faziam fila em frente a um posto de distribuição, na esperança de conseguir adquirir garrafas de oxigénio para os familiares hospitalizados.

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Imagens que circulam nas redes sociais mostram famílias de doentes a levar botijas de oxigénio para o hospital. Há relatos de médicos que tiveram de ventilar manualmente os pacientes e mortes por falta de oxigénio, enquanto o governo local instituiu o recolher obrigatório por 10 dias para tentar conter a pandemia.

O executivo estadual do Amazonas vai transferir para outros estados brasileiros bebés prematuros devido ao risco de falta de oxigénio. Segundo a Secretaria de Saúde do Amazonas, citada pelo portal de notícias "G1", os recém-nascidos serão transferidos após autorização dos pais e serão acompanhados pelas mães nos voos que estão a ser preparados pelas autoridades locais.

Políticos nas rede sociais e povo na rua pedem demissão de Bolsonaro

Vários políticos recorreram às redes sociais a pedir a abertura de um processo de destituição contra o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, responsabilizado pela situação de emergência que afeta os hospitais de Manaus.

Bolsonaro tem sido responsabilizado, nas redes sociais, pelo agravamento da situação dentro dos hospitais do Estado do Amazonas. Ao longo do dia de quinta-feira, a "hashtag #ImpeachmentBolsonaroUrgente" foi um dos assuntos mais comentados na rede social Twitter, elevando a pressão para que o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia, abra um processo de destituição contra o chefe de Estado.

A crise nos hospitais de Manaus levou muitos brasileiros a protestar com panelas e tachos nas grandes cidades do Brasil. "Bolsonaro, fora!", gritaram em fúria muitos brasileiros das janelas em diferentes bairros do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, que não se manifestavam desta forma desde meados do ano passado, quando o país atravessou o pico da primeira vaga de covid-19.

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