Canadá

Perfil de um cadastrado. Quem é o dono do lar infetado que deixou idosos à morte

Perfil de um cadastrado. Quem é o dono do lar infetado que deixou idosos à morte

O ​diretor do lar de idosos com utentes infetados com Covid-19 deixados ao abandono, no Canadá, tem um passado criminoso, mas beneficiou de um perdão e chegou a ser homenageado pelo trabalho com a comunidade sénior.

Fraude, tráfico de droga e lavagem de dinheiro são crimes pelos quais já foi investigado Samir Chowiera, dono da residência sénior encontrada ao abandono no Canadá. Cumpriu pena de prisão de dois anos por tráfico de droga e foi condenado a seis meses de cadeia por conspiração e fraude, em 1982.

O proprietário da Residência de Herron, onde já morreram 31 idososo, votados ao abandono, iniciou carreira na assistência sénior há mais de 30 anos, quando construiu um espaço de atendimento em Gatineau, no Quebeque, o lar "Résidence de l'Île". Em 1994, aquela residência sénior foi investigada por um alegado esquema de lavagem de dinheiro, mas o processo não chegou a tribunal.

Mais tarde, Chowieri pagou uma multa de 125 mil dólares canadianos (cerca de 80 mil euros) por vários crimes fiscais envolvendo os seus negócios.

A instituição de Gatineau foi inspecionada após a morte de três idosos, que tinham entre 82 e 98 anos, cujo falecimento foi investigado. De acordo com os médicos legistas, dois dos pacientes chegaram ao hospital gravemente desnutridos. O outro residente do lar terá morrido porque a residência demorou horas a recolocar a máscara de oxigénio que lhe tinha caído do rosto, relata o jornal canadiano "Montreal Gazzette", recordando o passado do dono do lar que deixou ao abandono dezenas de idosos no Canadá.

Chowiera está de novo na mira da polícia canadiana por "uma grande negligência" durante e pandemia, acusou o primeiro-ministro do Quebeque, François Legault, depois de a polícia ter encontrado no lar de Herron vários utentes sem "acesso a alimentos há dias", com fraldas que "transbordavam de excrementos" e outros "que tropeçavam no chão".

As residências de Herron e de l'Île, estão entre os sete lares geridos pelo grupo Katasa, detido por Samir Chowiera, um homem com um passado duvidoso, mas que que chegou até a ser homenageado em 2017 pelo trabalho realizado na área da assistência aos mais idosos.

Conseguiu perdão em 2014

De acordo com o jornal "La Presse", Chowiera conseguiu em 2014 um perdão do governo federal em relação ao seu cadastro, o que lhe permitiria gerir os negócios das residências seniores.

"Garantimos que os funcionários não têm um passado criminoso, mas podemos ter aceitado gerentes, ou proprietários, com um passado criminoso. Por isso, pedi que revíssemos tudo isto. É inaceitável", afirmou François Legault, depois do caso agora descoberto estar a chocar o país.

O Ministério da Saúde e dos Serviços Sociais do Canadá está a investigar o dono do grupo Katasa depois da morte de 31 utentes do lar de Herron, por causas ainda desconhecidas. Cinco óbitos tinham já sido confirmados pelas autoridades como casos de infeção por Covid-19.