Stan Swamy

Personalidades portuguesas enviam carta a embaixador da Índia a pedir a libertação de padre jesuíta

Personalidades portuguesas enviam carta a embaixador da Índia a pedir a libertação de padre jesuíta

Stan Swamy, de 83 anos, está preso desde outubro do ano passado na Índia por suspeita de pertencer a grupos maoístas. Várias personalidades portuguesas, entre políticos, professores universitários e advogados, pedem a libertação do padre jesuíta numa carta enviada ao embaixador indiano em Portugal.

Desde 8 de outubro de 2020 que Stan Swamy e mais 15 ativistas dos direitos humanos na Índia foram detidos pela autoridade antiterrorista INA. A razão? Todos são suspeitos de pertencer a grupos maoistas. Neste caso, Stan Swamy é acusado de estar ligado a uma manifestação em Bhima Koregaon, no final de 2017, que terminou em violência. Pelo menos duas pessoas morreram, 35 ficaram feridas e 300 foram detidas.

Porém, dois dias antes de ser preso, o padre jesuíta garantiu que não tinha estado envolvido no incidente. O mesmo é defendido por várias personalidades mundiais, que garantem que a detenção de Swamy explica-se pela forte oposição que o sacerdote da Companhia de Jesus tem feito às políticas governamentais da Índia, nomeadamente face aos Adivasis, uma minoria indígena naquele país.

Esta terça-feira, dia em que se assinala o Dia da República Indiana, a carta assinada por várias figuras portuguesas como o antigo presidente da República Ramalho Eanes, o investigador Carlos Fiolhais, os eurodeputados Nuno Melo, Marisa Matias e Manuel Pizarro, vêm pedir que "o Governo [da Índia] se comprometa com determinação na defesa dos direitos humanos".

A carta assinada pelo também padre Miguel Almeida, Provincial da Companhia de Jesus em Portugal, refere que a saúde de Stan Swamy é debilitada. O sacerdote indiano sofre de Parkinson. Além da doença e da idade avançada, a carta precisa que "na prisão tem sido difícil assegurar-lhe as condições mínimas de dignidade, tendo sido forçado a dormir no chão durante vários dias".

O documento endereçado a Manish Chauhan, embaixador indiano em Portugal, acrescenta que "só depois de vários protestos, foi possível dar-lhe [Stan Swamy] um copo com palhinha, de que necessita para beber água autonomamente".

O padre jesuíta dedica-se há 50 anos a defender os direitos e a denunciar o abuso de poder contra os Adivasis, que têm vindo a perder a propriedade das suas terras no estado de Jarcanda, essencial para a sua subsistência social e económica.

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Stan Swamy está detido há mais de 100 dias na prisão de Taloja, em Mumbai. Não pode receber visitas por ter sido acusado no enquadramento da Lei de Atividades Ilícitas, onde se inclui o terrorismo. Ainda este mês, a 22 de janeiro, o padre jesuíta escreveu uma carta a agradecer o apoio. Acredita-se que terá tido ajuda de outro ativista detido.

"Às vezes, a notícia desta solidariedade dá-me imensa força e coragem, especialmente quando a única coisa certa na prisão é a incerteza. A vida aqui é dia-a-dia. Por outro lado, nós, os 16 acusados não tivemos ainda oportunidade de nos encontrar, apesar de estarmos na mesma prisão. Mas continuamos a cantar em coro. Um pássaro aprisionado continua a poder cantar", lê-se na carta.

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