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Pessoas saídas de um globo negro onde as crianças não querem brincar

Pessoas saídas de um globo negro onde as crianças não querem brincar

Olena andou um dia inteiro a pé para fugir, Sofia tem seis anos e a sua cara tem medo. Yvona só não chora quando está a trabalhar

Agora os céus demorarão a florescer e as mães terão que criar os filhos com sussurros. Este é um tipo totalmente diferente de refugiado: são só mulheres ou crianças e fugiram sozinhas. Têm medo de tudo. Chegam e sentam-se mudas nos seus casacos descombinados, a maioria delas chega sem malas, e ficam paradas em desorientação. Têm uma resignação assustada, estão incrédulas, estão permanentemente abatidas na precisão do seu stress facial e nunca ninguém as viu maquilhadas. As crianças têm caras de medo, não querem brincar, não querem largar as mães, estão sempre silenciosas, e as mães têm os olhos tão vazios...

Ali é o Global Expo Center, Varsóvia, Polónia, um centro de feiras e congressos transmudado em centro de refugiados da guerra da Rússia sobre a Ucrânia. Abriu há duas semanas para acolher quatro mil exilados e já acolheu 25 mil. Não há sempre silêncio, ali, às vezes há algazarra e precipitação - como quando é hora de comer, ou quando passam crianças romenas ciganas a correr e correm sempre a zoar - vieram da Roménia, mas a Roménia não tem guerra, e os romenos lutam por alguém que os queira acolher.

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