Moçambique

Petição sobre emigrante desaparecido há 2 anos na Comissão dos Negócios Estrangeiros

Petição sobre emigrante desaparecido há 2 anos na Comissão dos Negócios Estrangeiros

A petição "Localizar Américo Sebastião, desaparecido em Moçambique, e restituí-lo ao seu País e à sua Família", que reuniu 6440 assinaturas, será analisada esta terça-feira pelos deputados da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros.

Salomé Sebastião, 49 anos, tem sempre o telemóvel por perto. Quase dois anos depois de o marido, Américo, ter desaparecido em Moçambique, e de inúmeras diligências para tentar encontrá-lo, acalenta a esperança de que, a qualquer momento, a contactem para dar boas notícias.

29 de julho de 2016, seis horas, posto de abastecimento de Nhamapaza, província de Sofala (Moçambique). Foi este o dia, a hora e o local em que Américo Sebastião, empresário do Bombarral a residir em Moçambique desde 2001, foi visto pela última vez. Terá sido aqui que foi raptado por homens fardados, que o terão transportado numa "carrinha de marca Mahindra, de cor cinzenta, tipo de veículo que é frequentemente utilizado pelas Forças de Segurança Moçambicanas". Desde então, nunca mais foi visto.

Nunca pediram resgate

Nesse dia, Salomé ligou para o marido, como era habitual, mas o telemóvel estava sem rede. Não estranhou, era uma situação comum. "Às três da tarde comecei a ficar preocupada, porque me devia ter contactado e não o fez". As más notícias chegaram duas horas depois, quando um dos sócios da empresa de agricultura e pecuária lhe ligou a dizer que Américo Sebastião tinha sido levado quando estava a abastecer a viatura.

"Naquela altura, estava sempre a acontecer isso. Raptavam as pessoas e, passados dois ou três dias, libertavam-nas. Só que já passaram quase dois anos e ainda não o libertaram", lamenta hoje Salomé, cujo filho Rodrigo tomou conta da parte do pai no negócio, passagem que já estava prevista.

Apesar de nunca ter sido pedido um resgate, diz que o cartão multibanco do marido, de 49 anos, foi utilizado várias vezes até esgotar o saldo. E garante que há imagens das pessoas a levantar o dinheiro e que se encontram na posse do Serviço Nacional de Investigação Criminal moçambicano.

A luta para que não esqueçam Américo

Nos últimos dois anos, a mulher de Américo bateu à porta de todas as entidades portuguesas e moçambicanas que a poderiam ajudar, e contactou as Nações Unidas, o Parlamento Europeu e até o Papa.

A petição é mais uma tentativa para que o desaparecimento do marido não caia em esquecimento. Nela se recomenda ao Governo de Portugal que reforce os contactos com as autoridades moçambicanas, reitere a disponibilidade para cooperar com as entidades judiciárias e policiais, solicite ao Governo de Moçambique esclarecimentos sobre os progressos da investigação e aborde o assunto junto da União Europeia e da ONU.

"Todos os dias faço alguma coisa para que procurem o Américo, para que o seu regresso seja o mais célere possível", disse.

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