França

Petróleo e Europa mostram diferenças entre Macron e Le Pen

Petróleo e Europa mostram diferenças entre Macron e Le Pen

Candidatos à presidência francesa debateram durante mais de duas horas e meia visões distintas para a França e para a UE.

"É falso" terá sido a frase mais vezes repetidas pelos dois candidatos à segunda volta das presidenciais francesas, que se disputam no próximo domingo. Duas horas e meia de debate entre o centrista Emmanuel Macron e a candidata da extrema-direita Marine Le Pen começaram num tom calmo e pausado, depressa ultrapassado para o ritmo de quem discutiu duas visões opostas para a França e para a Europa.

Poder de compra, cenário internacional (apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia e União Europeia), modelo social (reforma e saúde), ambiente, competitividade, juventude, segurança e imigração e o papel das instituições foram os oito temas predefinidos para o confronto televisivo.

Um momento decisivo na corrida, quando as sondagens apontam Macron como o favorito. A última pesquisa da Ipsos/Sopra Steria, publicada ontem, prevê uma margem de vitória para Macron, de 56%, contra 44% de Le Pen.

O primeiro ponto acalorado da noite foi a questão da Ucrânia. Marine Le Pen fez uma declaração emotiva de "compaixão" aos ucranianos. "A invasão russa da Ucrânia é inaceitável", garantiu. "Concordo com as sanções impostas a oligarcas, mas não concordo com uma sanção que proíba o gás e petróleo russos, porque não afetará a Rússia, mas irá prejudicar o povo francês", afirmou Le Pen. "Tenho um medo", acrescentou por fim a candidata. "Temo que isto atire a Rússia para os braços da China e que se tornem aliados tão próximos que se tornem num superpoder. Este é um grande risco para o Ocidente, para a Europa e para França", disse.

Emmanuel Macron apontou a "dependência" da Rússia do partido de Le Pen, a União Nacional, e lembrou que Le Pen foi das poucas figuras políticas europeias a "reconhecer o referendo da Crimeia" em 2014.

"Depende do Governo russo e depende de Putin", disse Macron, referindo-se a um empréstimo do partido de Le Pen a um banco checo-russo, "próximo ao Governo russo". Le Pen respondeu, dizendo ser "uma mulher absoluta e totalmente livre".

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A integração europeia foi outro dos pontos quentes do debate. "A sua campanha não mudou, continua a querer sair do euro, mas já não o diz. Já eu acredito no euro", disse Macron que defendeu uma soberania que seja, ao mesmo tempo, "nacional e europeia", e uma Europa liderada por um eixo franco-alemão.

Le Pen explicou querer permanecer na UE para transformá-la radicalmente. "Não há soberania europeia, porque não existe o povo europeu", afirmou a candidata da extrema-direita.

Os efeitos económicos da pandemia, ambiente, educação e imigração foram outros dos temas abordados.

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