Diplomacia

Petróleo, guerra e vingança. O que está em jogo após ataque no Iraque

Petróleo, guerra e vingança. O que está em jogo após ataque no Iraque

O ataque aéreo dos Estados Unidos a Bagdade, capital do Iraque, que vitimou o general Qassem Soleimani e o "número dois" da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, trouxe de novo a sombra de uma nova tensão entre o Médio Oriente e o Ocidente. Vários líderes mundiais já se pronunciaram sobre o assunto e as opiniões divergem.

Brasil

O presidente do Brasil mostrou-se preocupado com o aumento do preço de petróleo, após o ataque no Iraque que o Pentágono já admitiu ter sido ordenado por Donald Trump.

Bolsonaro acredita que o evento poderá "complicar" o mercado de combustíveis no país. "Que vai ter impacto, vai. Agora, vamos ver o nosso limite aqui. Se subir (o preço dos combustíveis), que já está alto, pode complicar", afirmou à saída da residência oficial em Brasília.

O chefe de Estado brasileiro preferiu não comentar a ação militar dos Estados Unidos da América.

Síria

A morte do general Qassem Soleimani não foi recebida de bom agrado por um dos grandes aliados do Irão, a Síria. "O povo sírio não se esquecerá da sua presença ao lado do exército árabe sírio na sua defesa da Síria face ao terrorismo e aos seus apoiantes", afirmou Assad numa carta dirigida a Ali Khamenei, líder supremo do Irão.

Assad não deixou também de apontar críticas aos Estados Unidos. "O crime cometido pela administração norte-americana confirma uma vez mais a sua abordagem para apoiar o terrorismo e espalhar o caos e a instabilidade", escreveu.

Rússia

Durante uma conversa telefónica com o presidente francês Emmanuel Macron, Putin não terá escondido a preocupação com a morte de Qassem Soleimani, indicado que o ataque poderá "piorar seriamente a situação" no Médio Oriente.

Holanda

A Holanda acredita que o ataque terá consequências sérias, mas não deixou de apontar o dedo a Qassem Soleimani, chefe da força de elite iraniana.

"A situação no Iraque é preocupante e séria. É de grande importância que a tranquilidade na região seja preservada. Ninguém beneficia de uma nova escalada. O Irão promove a instabilidade na região e Soleimani teve um papel nisso", escreveu no Twitter.

França

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de França apelou aos cidadãos para que tenham cuidado nos países do Médio Oriente, após o ataque aéreo ordenado pelos Estados Unidos.

"O contexto de crescentes tensões na região e os desenvolvimentos recentes exigem que tenhamos o máximo cuidado ao viajar para/ou do Iraque", escreveu o organismo francês em comunicado.

Arábia Saudita

A Arábia Saudita, um dos aliados dos Estados Unidos e inimigo do Irão, pede moderação face aos últimos acontecimentos no Iraque.

"O reino pede contenção para evitar tudo o que possa piorar a situação, com consequências incontroláveis", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita em comunicado.

Iraque

"Ataque injustificado" foi assim que o grande ayatollah Ali al-Sistani comentou o ataque aéreo que vitimou o general Qassem Soleimani e o comandante Abu Mehdi al-Muhandis, ambos iranianos.

O vice-presidente do Parlamento do Iraque anunciou a realização de uma sessão de emergência no parlamento para debater o assunto.

Irão

O líder supremo do país Ali Khamenei indicou que "uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires". O Irão vai ter três dias de luto nacional.

Estados Unidos

O ataque, que segundo o Pentágono foi ordenado por Donald Trump, para matar o chefe da força de elite iraniana não poderia passar ao lado dos tweets do próprio presidente dos Estados Unidos. "Ele já deveria ter sido abatido há muitos anos!", escreveu na rede social.

Trump deixou nas entrelinhas uma possível conversa com os líderes políticos iranianos: "O Irão nunca venceu uma guerra, mas nunca perdeu uma negociação".

ONU

António Guterres pediu o "máximo de contenção" aos líderes mundiais num momento em que o Irão pede vingança pelo ataque aéreo. O secretário-geral da ONU é perentório: "O mundo não pode permitir outra guerra no Golfo".

Conselho Europeu

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, vai na mesma linha de pensamento da ONU e afirma que o ciclo de violência no Iraque "tem de acabar". "Demasiadas armas e milícias estão a atrasar o processo de regresso a uma vida normal por parte dos cidadãos iraquianos", afirmou.

NATO

"A NATO está a monitorizar a situação na região de muito perto. Continuamos em contacto próximo e regular com as autoridades americanas", disse um porta-voz da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A organização, que mantém presença militar no Iraque para impedir o regresso do Estado Islâmico, afirma continuar a tomar as precauções necessárias para a segurança dos seus elementos.

Os Estados Unidos avisaram os cidadãos norte-americanos para "sair imediatamente" do Iraque.

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