Palma

Petrolífera Total suspende operações em Moçambique após ataques armados

Petrolífera Total suspende operações em Moçambique após ataques armados

A petrolífera francesa Total, que manifestou na quarta-feira a intenção de retomar os trabalhos para exploração de gás no norte de Moçambique, anunciou, este sábado, a suspensão das operações após um ataque jiadista em Palma.

A Total "não tem vítimas a lamentar no pessoal que trabalha no local do projeto" em Afungi, a 10 quilómetros da localidade de Palma, mas vai "reduzir os trabalhadores ao mínimo" e a "reativação do projeto ponderada esta semana fica suspensa", de acordo com um comunicado citado pela AFP.

Em resposta a questões colocadas pela agência Lusa, a empresa sublinhou que "a prioridade absoluta da Total é garantir a segurança e a proteção das pessoas que trabalham no projeto", expressando ainda "solidariedade e apoio à população de Palma, aos familiares das vítimas e às pessoas afetadas pelos trágicos acontecimentos dos últimos dias".

"A Total tem confiança no Governo de Moçambique cujas forças de segurança pública estão a trabalhar por forma a retomar o controlo da área", concluiu.

Um outro ataque nas imediações do recinto de construção, no final do ano, tinha levado à retirada de grande parte dos trabalhadores, mas o Governo moçambicano e a petrolífera anunciaram na terça-feira que "o projeto iria progressivamente retomar as atividades de construção".

O regresso da atividade era justificado com a "implementação de medidas adicionais de segurança" por parte das forças moçambicanas.

No dia seguinte ao anúncio, insurgentes armados que aterrorizam a região desde 2017 invadiram a vila de Palma, adjacente à área de implantação, onde vivem cerca de 52.000 pessoas e muitos dos trabalhadores no projeto, de várias nacionalidades e empresas internacionais.

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As forças moçambicanas anunciaram na quinta-feira estar a "perseguir o inimigo" enquanto se dava uma fuga em massa da sede de distrito, com os sobreviventes a relatar que há corpos de crianças e adultos assassinados pelas ruas da vila, parcialmente destruída.

Um grupo de cerca de 200 pessoas refugiadas num hotel foi resgatado entre quinta-feira e hoje para o recinto do projeto, em Afungi, e daí para Pemba.

Durante a operação, pelo menos sete pessoas morreram num ataque a uma das caravanas, em que um português foi ferido, encontrando-se sob cuidados médicos na África do Sul.

A violência em Cabo Delgado dura desde 2017 e está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.

Algumas das incursões foram reivindicadas pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico entre junho de 2019 e novembro de 2020, mas a origem dos ataques continua sob debate.

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