Cannes

Polémico sistema de videovigilância controla uso de máscara

Polémico sistema de videovigilância controla uso de máscara

Cidade francesa de Cannes criou um sistema de videovigilância para controlar a utilização de máscaras em espaços públicos, prevendo que esta se torne obrigatória. Uma medida que não reúne consenso.

No mercado da cidade, as câmaras recolhem imagens, que ao serem processadas através de um algoritmo no computador permitem detetar se as pessoas têm ou não uma máscara no rosto. Para entrar no espaço, os clientes já tinham que lavar as mãos e permitir a medição da temperatura.

A obrigatoriedade do uso de máscara ainda não avançou, mas o controlo já está a ser feito desde o dia 23 de abril.

O projeto é da startup francesa Datakalab e transforma as imagens em dados, permitindo saber o número de pessoas que estão ou não a usar máscara nos locais vigiados. No dia 26 de abril, às 8.45 horas, "87% das pessoas estavam de máscara" no mercado, revelou um dos responsáveis da empresa ao "Libération".

"Usamos a matemática para antecipar o desconfinamento", explicou Sophie Mouysset, da câmara de Cannes. "Se a máscara se tornar obrigatória e o governo nos der os meios, em algum momento será necessário aplicar a repressão para aplicar esse princípio".

Na cidade de Cannes, apesar de as máscaras serem gratuitas, 100 mil já foram distribuídas, 26% da população continua sem as usar.

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No entanto, o método de controlo individual do uso de máscara através de pequenas câmaras não é consensual. Há quem o considere um atentado ao direito à privacidade.

"Faz parte de todas essas novas tecnologias implementadas e legitimadas pela crise. Devemos distinguir dois medos: o primeiro é a da violação dos nossos direitos, o segundo é a questão da banalização", apontou Martin Drago, advogado, ao jornal francês.

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