Rio de Janeiro

Polícia brasileira nega execuções em operação numa favela

Polícia brasileira nega execuções em operação numa favela

Várias organizações de Direitos Humanos e moradores da comunidade do Jacarezinho, no norte do Rio de Janeiro, criticaram duramente a operação policial que resultou em 25 mortos, a qual classificaram de "chacina", mas a Polícia Civil negou "execuções".

Em conferência de imprensa, representantes da Polícia Civil, corporação que realizou quinta-feira a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, com 25 mortos, afirmaram que a única execução ocorrida no Jacarezinho foi a do agente Andre Leonardo de Mello Frias, baleado na cabeça durante a ação.

Além do agente da polícia, foram ainda mortos, pelo menos, 24 suspeitos de integrarem um grupo criminoso, numa ação que foi considerada excessiva e um ato de "vingança" por várias entidades e organizações de defesa de Direitos Humanos.

Face a essas acusações, o delegado Oliveira, que é subsecretário operacional da Polícia Civil, criticou o "ativismo judicial" e negou que as autoridades policias atuem "na emoção".

"Pseudo-entendidos de segurança pública criaram uma lógica de que, quanto mais inteligência, menor o confronto. Isso não funciona assim. Quanto mais precisa a informação, maior é a resistência do tráfico (...) A Polícia Civil não age na emoção. A operação foi muito planeada, com todos os protocolos e em cima de 10 meses de investigação", afirmou Oliveira, em conferência de imprensa.

O delegado avaliou ainda que não foram cometidos erros ou excessos na operação, mas frisou o resultado não é para ser comemorado.

"Não estamos a comemorar (...) Por outro lado, a Polícia Civil não vai se furtar de fazer com que a sociedade de bem tenha o seu direito de ir e vir garantido", afirmou Oliveira, explicando que "os criminosos acabam aliciando os filhos dos trabalhadores".

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A Polícia Civil informou que se tratou de uma operação contra traficantes do Comando Vermelho e que foi desencadeada em conjunto com a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

A investigação teve início a partir de informações recebidas pela polícia, de que traficantes vêm aliciando crianças e adolescentes para integrar a fação que domina o território.

O delegado Felipe Curi, chefe do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), considerou que a ida da polícia à favela foi para "garantir o direito das pessoas que estavam sob a ditadura do tráfico [de drogas]".

A Polícia frisou que outras operações irão acontecer para evitar que os menores sejam cooptados pelo narcotráfico.

Sobre as fotografias que circulam das redes sociais sobre a operação, em que é possível ver uma pessoa baleada sentada numa cadeira, a Polícia indicou que as circunstâncias da morte serão apuradas.

Numa outra conferência de imprensa, membros da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, que se deslocaram ao local para acompanhar a situação, relataram as cenas de horror que encontraram.

"Muitos muros e portas cravejados de balas. Duas casas me impressionaram muito. Em uma das casas, a família foi retirada, e morreram dois rapazes. Os cómodos estavam repletos de sangue. E também tinha massa encefálica. A senhora que falou com a gente estava muito impactada", relatou a defensora pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos, Maria Julia Miranda, citada pelo portal G1.

Numa outra casa, Maria Julia disse ter visto um rapaz executado no quarto de uma menina de 8 anos.

"Essa menina está completamente traumatizada. Provavelmente nesses casos houve execução. O que, para nós, configura desfazimento de cena de crime", acrescentou a defensora, detalhando que havia mães perdidas na favela, à procura dos filhos.

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