Barcelona

Balas de borracha e voos cancelados em protesto no aeroporto El Prat

Balas de borracha e voos cancelados em protesto no aeroporto El Prat

Elementos da polícia nacional espanhola juntaram-se a efetivos locais para protegerem o aeroporto El Prat, em Barcelona, devido ao protesto contra a condenação de dirigentes independentistas.

À medida que a contestação à decisão judicial ganha maior dimensão, em diversas cidades catalãs, impedindo acessos a transportes públicos e bloqueando estradas, as autoridades policiais catalãs [Mossos d'Esquadra] começaram a pedir ajuda a diversas unidades de polícia nacional, como a polícia de choque e a unidade de intervenção policial, para proteger infraestruturas vitais, como o principal aeroporto de Barcelona.

Os Mossos d'Esquadra dispararam balas de borracha contra as centenas de manifestantes pró-independentistas que ali protestam contra a condenação de dirigentes independentistas da Catalunha, gritando palavras de ordem e tentando obstruir o acesso aos terminais.

Segundo a polícia regional catalã, a ação de contenção permitiu "ganhar espaço de segurança" em zonas críticas do aeroporto, não tendo sido registada nenhuma detenção.

Já ao início da tarde, os Mossos d'Esquadra tinham feito uma investida contra os manifestantes, no acesso à estação de metropolitano do principal aeroporto de Barcelona.

As autoridades de emergência médica deslocadas para o El Prat anunciaram que prestaram auxílio a 37 pessoas, embora nenhuma causasse preocupações sérias.

O protesto provocou o cancelamento de 108 dos 1066 voos previstos para esta segunda-feira.

O objetivo de bloqueio do El Prat foi definido desde muito cedo pelo grupo Tsunami Democrático, com a ajuda de centenas de estudantes que há várias horas se deslocavam desde a Praça da Catalunha para o aeroporto, tornando o acesso caótico.

Situação idêntica ocorreu com os serviços ferroviários de Girona, onde um grupo de manifestantes cortou a linha de comboio tradicional e de comboio de alta velocidade, pintando mensagens de apoio à causa independentista em várias carruagens.

Os protestos estavam a ser preparados desde domingo, com instruções criptografadas na aplicação de Internet Telegram, distribuídas a mais de 150 mil pessoas com um objetivo bem definido: "Amanhã, vamos estar todos prontos! A resposta à sentença será imediata!".

A organização Tsunami Democrático tem estado ativa há mais de 24 horas, a mobilizar grupos de protesto, que se espalham pelas ruas e praças de várias cidades catalãs, promovendo bloqueios a transportes públicos, marchas lentas em estradas e até manifestações silenciosas em frente a edifícios públicos.

O Serviço Catalão de Trânsito (SCT) informou que a principal via de acesso ao El Prat, a C-31, está cortada por uma manifestação de independentistas que não parou de crescer nas últimas horas.

Mas também em algumas das mais movimentadas estações ferroviárias da Renfe, como Passeig de Gràcia e Sants, há aglomerações de manifestantes que estão a causar a prolongadas interrupções de acesso.

Os manifestantes protestam contra a decisão do Tribunal Supremo, que condenou os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até 13 anos de prisão.

O ex-vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, foi condenado, por unanimidade, a 13 anos de cadeia por delito de sedição e má gestão de fundos públicos.

Foram condenados a 12 anos de cadeia os ex-conselheiros da Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência), Raul Romeva (ex-conselheiro do Trabalho) e Dolors Bassa (ex-conselheira para as Relações Exteriores) por delitos de sedição e má gestão.

O antigo titular do cargo de conselheiro do Interior, Joaquim Forn e Josep Rull (Território) foram condenados a 10 anos de cadeia.

Jordi Cuixart, responsável pela instituição Òmnium Cultural, foi condenado a nove anos de prisão por sedição.

Os factos reportam-se a 2017 sendo que os magistrados entendem que os acontecimentos de setembro e outubro do mesmo ano constituíram crime de sedição visto que os condenados mobilizaram os cidadãos num "levantamento público e tumultuoso" para impedir a aplicação direta das leis e obstruir o cumprimento das decisões judiciais.

"Os acontecimentos do dia 1 de outubro" (2017)" não foram apenas uma manifestação ou um protesto. Foi um levantamento tumultuoso provocado pelos acusados", referem os juízes do Supremo espanhol.