Migrações

Polícia croata volta a ser acusada de agressões brutais a migrantes

Polícia croata volta a ser acusada de agressões brutais a migrantes

A organização Human Rights Watch acusou a polícia croata de "agredir brutalmente" migrantes intercetados no país, a porta de entrada para a União Europeia.

Esta acusação segue-se a outras denúncias, similares, emitidas por organizações como os Médicos sem Fronteiras ou o Conselho da Europa, e que foram contrariadas por Zagreb. Em julho de 2013 a Croácia tornou-se oficialmente no 28.º Estado-membro da UE.

"A Croácia deveria proteger os requerentes de asilo e os migrantes. Mas pelo contrário, a polícia croata agrediu-os brutalmente e reenviou-os para o outro lado da fronteira", segundo um comunicado daquela organização não-governamental de direitos humanos com sede em Nova Iorque.

A Human Rights Watch (HRW) precisa que entre os 20 migrantes que interrogou, 16, incluindo mulheres e crianças, afirmaram terem sido espancados pela polícia, com bastões, pontapés e murros, que também recolheu o dinheiro que possuíam e confiscou ou destruiu os seus telemóveis.

Os telefones portáteis e as aplicações de navegação são uma ferramenta muito útil para estes migrantes, quando tentam atravessar clandestinamente as fronteiras.

Os resultados deste inquérito "confirma as provas de crescentes abusos" cometidos pela polícia croata, segundo o HRW, que solicita a Zagreb uma investigação judicial.

Centenas de milhares de migrantes percorreram a designada "rota dos Balcãs" até ao seu encerramento em março de 2016. No entanto, centenas de viajantes, em particular homens jovens, continuam a utilizá-la clandestinamente.

Após terem privilegiado uma passagem a partir da Sérvia, tentam agora entrar na Croácia através da Bósnia-Herzegovina. Segundo as autoridades, cerca de 20 mil transitaram por este país montanhoso em 2018, e cerca de seis mil estão atualmente bloqueados.

Numa carta dirigida no início de outubro ao primeiro-ministro croata Andrej Plenkovic, o comissário para os direitos humanos do Conselho da Europa, Dunja Mijatovic, manifestou a sua inquietação com os números da ONU, em que se refere que dos cerca de 2500 migrantes expulsos da Croácia, cerca de um terço referiu-se a violências cometidas pela polícia.