Ambiente

Poluição atmosférica leva a aumento da gravidade de doenças mentais, revela estudo

Poluição atmosférica leva a aumento da gravidade de doenças mentais, revela estudo

A exposição à poluição atmosférica está associada a um aumento da gravidade de doenças mentais. Uma pequena exposição ao dióxido de nitrogénio leva a um aumento de 32% das pessoas expostas necessitarem de tratamento psicológico e 18% precisarem de ser internadas no hospital.

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Bristol, no Reino Unido, que envolveu 13 mil pessoas, revelou que "a exposição à poluição atmosférica afeta o cérebro e leva a um aumento do risco de transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia e depressão".

A investigação teve em conta o primeiro contacto das pessoas expostas com os serviços de saúde mental e os valores dos níveis de poluição do ar nas áreas das suas residências. Sete anos mais tarde, os investigadores avaliaram novamente os dados das pessoas expostas e descobriram que a ligação com a poluição atmosférica era ainda visível.

Segundo os investigadores, "identificar os fatores de risco modificáveis para a gravidade da doença pode indicar os esforços necessários de intervenção precoce e reduzir o sofrimento humano, assim como pode reduzir os altos custos económicos causados por doenças mentais crónicas de longo prazo".

A maioria das cidades dos países desenvolvidos apresentam elevadas quantidades de poluição do ar e, de acordo com Joanne Newbury, investigadora que liderou o estudo, "a poluição atmosférica é modificável em grande escala, o que dessa forma reduziria a exposição da população a esta poluição" e consequentemente diminuiria o risco de as pessoas expostas desenvolverem doenças mentais.

Os investigadores estimam que reduzir a exposição da população do Reino Unido à poluição de pequenas partículas no ar por apenas algumas unidades iria reduzir o uso dos serviços de saúde mental em cerca de 2%, o que levaria a economizar dezenas de milhões de libras por ano.

"As avaliações de custos atualmente consideram apenas a saúde física, mas estamos a ver mais estudos que demonstram ligações com a saúde mental, pois achamos que pode ser importante incluí-los, porque isso pode inclinar a balança e deixar mais claro que investir na redução da poluição do ar é económico", apontou a investigadora.

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De acordo com o Banco Mundial, a poluição atmosférica pode custar à economia global cerca de cinco triliões de dólares por ano, porém este valor só inclui os danos causados ao coração e aos pulmões.

Outros estudos realizados recentemente também mostraram que o crescimento da poluição atmosférica leva a um aumento significativo de depressão e ansiedade, assim como, também está associado ao aumento do número de suicídios. A exposição a partículas de ar poluído está ainda associada a uma redução "enorme" da inteligência e pode levar à demência, segundo aponta um outro estudo.

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