Guerra na Ucrânia

Pontos-chave do dia: mais ataques, comida em falta e operações de resgate difíceis

Pontos-chave do dia: mais ataques, comida em falta e operações de resgate difíceis

Bombardeamentos por todo país, operações de resgate dificultadas pelos ataques e um telefonema entre Xi Jinping e Joe Biden com apelos à paz e segurança mundiais são alguns dos pontos-chave deste 23.º dia da guerra na Ucrânia.

- Os ataques continuam, por todo o país. Mísseis russos atingiram, ao início da manhã, uma fábrica de manutenção de aeronaves na cidade de Lviv, no oeste da Ucrânia, a 80 quilómetros da fronteira com a Polónia, que servia de abrigo para centenas de milhares de ucranianos deslocados internamente. Na martirizada Mariupol, no leste do país, onde 350 mil civis estão retidos com pouca comida e água, os ataques russos continuam, com as Forças Armadas russas a "apertarem o cerco". Em Kharkiv, um estabelecimento de ensino de vários andares foi bombardeado de manhã, matando uma pessoa e ferindo 11, de acordo com o serviço de emergência estatal. E em Kramatorsk, também no leste, projéteis russos mataram duas pessoas e feriram seis. Na parte norte da capital ucraniana, Kiev, partes de um míssil russo caíram sobre um prédio residencial, matando uma pessoa deixando quatro feridas.

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- Centenas de pessoas continuam sob os escombros do teatro de Mariupol que foi bombardeado na quarta-feira, disse o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, dando conta de que mais de 130 pessoas foram resgatadas com vida até agora. De acordo com a comissária do Parlamento ucraniano para os Direitos Humanos, Lyudmyla Denisova, ainda há 1300 pessoas presas no abrigo, mas os esforços de resgate estão a ser prejudicados pelo colapso dos serviços sociais na cidade e pelos constantes ataques. As comunicações com a cidade são difíceis e as autoridades ainda não têm dados quanto às vítimas mortais do ataque.

- O Programa Alimentar Mundial da ONU informou que as cadeias de abastecimento de alimentos na Ucrânia estão a colapsar, com uma parte da infraestrutura destruída e muitos supermercados e armazéns vazios.

- Vladimir Putin elogiou a "unidade" da Rússia naquilo a que o Kremlin chama de "operação especial" na Ucrânia, durante um raro discurso público no estádio nacional, em Moscovo. Enquanto o líder russo terminava o discurso, a transmissão televisiva foi subitamente interrompida e foram exibidas canções patrióticas. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que se tratou de uma "falha técnica".

- O presidente chinês disse ao homólogo norte-americano que confrontos como os que se desenrolam na Ucrânia não são do interesse de ninguém. "A crise da Ucrânia é algo que não queremos ver", declarou Xi Jinping a Joe Biden, citado pela televisão estatal chinesa, defendendo que a "paz e a segurança são os mais valiosos tesouros da comunidade internacional". "As relações entre Estados não podem escalar para hostilidades militares", acrescentou Xi, instando os EUA a assumir responsabilidades e contribuir para o esforço de paz no Mundo. Leia mais aqui.

- Num dos mais fortes discursos do pontífice máximo da Igreja Católica sobre a guerra na Ucrânia, o Papa Francisco denunciou o "perverso abuso de poder" exibido pela Rússia e reclamou ajuda ao povo ucraniano, atacado na sua "identidade, história e tradição".

- Vários políticos europeus apelaram ao Comité Nobel Norueguês para que aceite a candidatura de Zelensky e do povo ucraniano ao Nobel da Paz deste ano, apesar de ter terminado o prazo para nomeações. Leia mais aqui.

- Segundo o jornal ucraniano "Hromadske", as forças russas estão a "manter em cativeiro" uma jornalista ucraniana, Victoria Roshchyna, que terá sido detida no dia 15.

- Vítimas: A Organização das Nações Unidas informou que, desde o início da guerra até esta quinta-feira, pelo menos 816 civis morreram e 1333 ficaram feridos. No entanto, ressalva a ONU, o número real de mortes deverá ser bastante superior, uma vez que os dados não contemplam informações relativas a algumas das cidades mais afetadas, como Mariupol (as comunicações estão a ser dificultadas pelos constantes bombardeamentos). De acordo com as autoridades de Kiev, 222 pessoas foram mortas na capital, incluindo 60 civis e quatro crianças.

- Refugiados e deslocados: Mais de 3,2 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde a invasão russa, de acordo com a ONU, que aponta ainda para cerca de 6,2 milhões de deslocados internos (pessoas que fugiram do local de residência habitual, mas que permanecem no país). Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

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