Espanha

Por dentro da "gruta especial" onde estão retidos quatro portugueses

Por dentro da "gruta especial" onde estão retidos quatro portugueses

A gruta de Cueto-Coventosa é uma daquelas travessias que nenhum espeleólogo que se preze pode deixar de fazer. É, também, a que acumula mais resgates em Espanha, apenas com uma vítima mortal.

Não é mais dura, a maior ou a gruta mais difícil, mas é uma travessia obrigatória para os espeleólogos, com um desnível de 695 metros entre a entrada, pelo Cueto, e a saída, na Coventosa, para o qual contribuem os 302 metros do poço Juhué.

Após os primeiros 302 metros, num só poço, os espeleólogos têm mais 281 metros de descida na vertical, por vários poços mais pequenos, pelo chamado Sima del Cueto. Chegados ao plano horizontal, os exploradores enfrentam seis quilómetros de caminhada, com vários troços só possíveis a nado, com lagos e poços, até à saída, na Coventosa.

"Esta gruta é especial porque permite pôr em prática todas as capacidades espeleológicas", segundo a Fundação de Espeleosocorro Cántabro (Esocan).

A travessia pode demorar entre 16 a 30 horas, sendo que 24 horas é considerado um tempo normal para fazer este percurso. O tempo para a jornada depende do equipamento usado e até do tamanho do grupo a fazer a travessia.

Por ser "uma das clássicas" para os espeleólogos, é uma das travessias mais repetidas em Espanha e, também, a que mais resgates acumula no país vizinho: 25, desde que há registos, o último dos quais em julho. Três espeleólogas da Catalunha desorientaram-se no interior da gruta e esperaram quase um dia pelos serviços de emergência.

Em 25 resgates, apenas há a registar uma vítima mortal, um britânico, em 1991. Cinco desportistas ficaram feridos e outros 18 resgatados foram simples atrasos.

Situada no município de Arredondo, na Cantábria, em Espanha, a gruta começou a ser explorada em 1958, apesar de ser conhecida há muitos anos.