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Portugal acolheu 646 cidadãos afegãos num ano

Portugal acolheu 646 cidadãos afegãos num ano

Portugal acolheu 646 afegãos, dos quais 552 vivem em habitações autónomas e 107 estão a trabalhar. O nosso país recebeu o primeiro grupo de refugiados afegãos fez ontem um ano, duas semanas depois de os talibãs tomarem o poder em Cabul. Desde então, chegaram 879 pessoas do Afeganistão a Portugal, das quais 233 já saíram para outros países. A maioria dos 131 músicos do Instituto Nacional de Música do Afeganistão, chegados em dezembro do ano passado, já têm casa, depois de oito meses a viverem no Hospital Militar de Belém, em Lisboa, em condições que levaram a um protesto em junho último.

Mohammad Qambar Nawshad, maestro da Orquestra Nacional do Afeganistão, começou por viver num quarto com os três filhos, a mulher, a mãe e o sobrinho, na Fundação O Século. Em abril, mudou-se para o Hospital Militar de Belém, onde a situação não melhorou. Tal como os outros músicos, partilhava um quarto com sete pessoas. Na altura, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) garantiu ao JN que Mohammad ficaria naquela solução provisória por pouco tempo, estando prevista a sua transferência para um apartamento ainda naquele mês, o que não chegou a acontecer.

A solução para Mohammad e os restantes músicos afegãos chegou no final do mês passado. Após a promessa do Governo de que iriam arranjar uma solução permanente e darem continuidade às atividades musicais na capital, professores e alunos começaram a ser transferidos para apartamentos em Braga e Guimarães, a 20 de julho. O Alto Comissariado disse ao JN que o "processo estará totalmente concluído no final deste mês, incluindo alguns elementos que permanecerão em Lisboa".

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Iqbal Asify é um dos que querem ficar na capital. O jovem músico disse ao JN que ainda vivem oito estudantes com três famílias no Hospital de Belém, dos quais apenas três querem viver em Lisboa. "Quis continuar aqui porque vou ter mais oportunidades em Lisboa para tocar em concertos e trabalhar em part-time. A Cruz Vermelha está a ajudar-nos a encontramos casa", explicou.

Mohammad, há quase um mês em Braga, após oito meses a partilhar quarto com seis familiares, vive agora num T3. "Tenho de estar contente. Braga é uma cidade muito bonita e o nosso objetivo é começar a nossa vida aqui", diz. Lamenta apenas o atraso. "Demorou tanto tempo e depois enviaram-nos para o Norte."

"Melhor solução"

Questionado sobre a demora no processo de integração e a mudança para o Norte do país, ao contrário do que tinha anunciado em abril, o ACM não responde. Diz apenas que "desde a chegada do grupo esteve a ser trabalhada a melhor solução", e que a alternativa agora encontrada "visa manter a união" dos músicos, que foram integrados no sistema nacional de educação, na Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, e "estão a residir no mesmo distrito, de Braga".

"Todas as soluções têm primacialmente em atenção as necessidades e projetos das pessoas respeitando a sua individualidade e privacidade, designadamente e por maioria da razão quando estão em causa crianças", justifica ainda o ACM.

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