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Portugal condena ataques do Irão e mantém soldados no Iraque

Portugal condena ataques do Irão e mantém soldados no Iraque

O ministro dos Negócios Estrangeiros português condenou os ataques do Irão a duas bases militares com forças norte-americanas no Iraque, apelando à contenção de todos os envolvidos para evitar "uma espiral de violência" no Médio Oriente.

"As ações militares tomadas pelo Irão contra bases da coligação internacional [que luta contra o autoproclamado Estado Islâmico no Iraque] a que Portugal pertence merecem a nossa condenação, mas apelamos também a todos os envolvidos para que usem da máxima contenção para evitarmos uma espiral de violência no Médio Oriente e uma escalada que nos afastará mais de uma solução pacífica, sustentada e duradoura para a estabilidade" naquela região, disse Augusto Santos Silva, em Lisboa, à margem de um seminário promovido pelo Instituto Camões.

Face ao ataque iraniano desta quarta-feira de madrugada a duas bases militares norte-americanas no Iraque, o chefe da diplomacia portuguesa disse que o Irão tem responsabilidades "que deve assumir inteiramente", sublinhando que essa não é a única parte do conflito. "O nosso apelo dirige-se a todos os participantes, quer no âmbito da coligação internacional, quer da NATO, que têm no Médio Oriente um objetivo muito importante de combater as redes terroristas e impedir o ressurgimento do Daesh", acrescentou.

Santos Silva é "absolutamente essencial evitar a proliferação de armamento nuclear", assinalando que os europeus continuam vinculados ao acordo nuclear assinado em 2015, que estabelece as condições em que os países, nomeadamente o Irão, podem utilizar a energia nuclear para fins pacíficos. "Ao mesmo tempo que estamos vinculados a esse acordo temos em prática sanções contra o Irão por violação grosseira dos direitos humanos e temos exprimido a nossa crítica e o nosso repúdio pelo programa iraniano de mísseis balísticos, bem como pela responsabilidade do Irão na instabilidade regional", disse.

Augusto Santos Silva sublinhou ainda a necessidade de resolver os "vários focos de conflitualidade que existem no Médio Oriente [...] à luz do direito Internacional, por meios políticos, pelo diálogo entre as partes e pelo envolvimento da comunidade internacional".

Tropas portuguesas continuam no Iraque mas em suspenso

Sobre a permanência de militares portugueses no Iraque, o ministro dos Negócios Estrangeiros reforçou as informações já avançadas durante a manhã pelo ministério da Defesa. "Os nossos militares estão bem, estão aquartelados em Besmayah", disse Santos Silva, adiantando que a atividade de formação e apoio às formas de segurança iraquianas está suspensa, decorrendo "as consultas necessárias para acompanhar a evolução da situação".

Portugal aguarda para ver "o que as autoridades iraquianas pedem" para "tomar uma decisão". "Por enquanto, as tropas mantêm-se e a nossa participação no âmbito da coligação internacional contra o Daesh mantém-se", disse.

Questionado pelos jornalistas sobre se Portugal vai reforçar a segurança da embaixada portuguesa em Teerão, Santos Silva evocou os protocolos de segurança existentes: "Temos protocolos de segurança requeridos pela presença de cidadãos portugueses nos países ou regiões onde haja situações de emergência ou críticas, que ativamos sempre que necessário, e temos protocolos de segurança para as embaixadas, consulados ou pessoal diplomático, que pela sua natureza não são públicos nem podem ser divulgados publicamente".

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