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Português que morreu em Paris era taxista em França

Português que morreu em Paris era taxista em França

Os 320 habitantes, incluindo o presidente da Junta de Freguesia de Corte do Pinto, aldeia que fica a cerca de 20 quilómetros de Mértola, desconheciam que o português que morreu nos atentados em Paris, era Manuel Colaço Dias, um emigrante filho da terra.

"Se o homem que morreu é esse, é o Manuel Dias", reagiu quando viu a foto apresentada pelo JN o autarca João Venâncio, em Mina de São Domingos, onde convivia no grupo da caça com uns amigos.

Depois na aldeia de Corte do Pinto, o mesmo cenário. A população sabia que tinha morrido um português, natural de Mértola, mas não imaginavam que fosse da aldeia. "Conheço, é meu amigo de infância. É o Manuel Dias, o filho do Joaquim Barreno", disse Rui Palma, 64 anos, reformado do Estado. "Andámos à escola em pequenos. Estive com ele na aldeia, em agosto passado, durante as festas. Coitado não volta cá mais", concluiu.

No Café do Altinho, no centro da aldeia, Manuel Afonso Santos, 77 anos, trabalhador rural reformado, bebia um copo de vinho tinto e depois de saber da triste novidade, desabafou.

"Fui apanhado de surpresa. Tenho a chave da casa que ele tem aqui na aldeia para venda. Vou lá todos os dias regar o quintal. Os filhos e o irmão estão para Lisboa", rematou.

Em Mina de São Domingos, Manuel Costa, emigrante e grande amigo de Manuel , ficou triste com a notícia: "A minha mulher ligou para França e os portugueses que moram perto desconhecem a sua morte", acrescentando que a última morada que lhe conheceu foi em Ebetmy, uma localidade perto do Aeroporto de Reims, a cerca de 140 quilómetros de Paris.

"Era um bom amigo"

Manuel Costa recorda que, no dia 10 de junho de 1977, foi o amigo quem o desafiou para irem a uma festa de emigrantes portugueses e verem um Sporting-Benfica. "Era um excelente companheiro, fizemos boas farras", remata.

Na pequena aldeia de Rosário, concelho de Almodôvar, terra da mulher da vítima, a consternação era grande.

Logo que souberam da notícia, os dois filhos de Manuel Colaço Dias rumaram a Paris.

Uma cidadã lusodescendente também morreu vítima dos atentados.