Florida

Portugueses contam como se preparam para o furacão em Miami

Portugueses contam como se preparam para o furacão em Miami

Rui e João estão em Miami. Separados por algumas milhas, aguardam pela passagem do furacão. O primeiro, em casa, com a família; o segundo num abrigo, com a mulher e um casal amigo, entre turistas e americanos.

Rui Morgado é português, vive em Londres, mas está na Florida com familiares. Refugiado dentro da casa do cunhado, em Pembroke Pines, dá conta da "apreensão" que sentem, quando o furacão Irma se aproxima de Miami, este domingo.

"Uma árvore caiu e acertou na nossa casa. Os estragos são poucos, mas temos uma pequena infiltração", contou Rui Morgado. "Estamos relativamente tranquilos. A casa é moderna, de cimento e tijolos, não é de madeira e teoricamente resiste melhor", disse.

João Prudente é do Porto e está de férias na Florida com a mulher e um casal amigo. Aconselhado a deixa o 21.º andar de um hotel na baixa de Miami, onde estava instalado, mudou-se há 48 horas para um abrigo estatal montado numa escola no bairro Hialeah.

"Há algumas rajadas de vento e muita chuva. Nada de especial. Às vezes no Porto está bastante pior", disse, ao JN. "Acho que houve algum alarmismo. A trajetória do furacão falhou completamente. Era suposto vir diretamente ao centro, mas vai passar a cerca de 300 quilómetros de Miami, pela costa Oeste", explicou.

"O pior está previsto para as 16 horas", 21 em Portugal continental, disse Rui Morgado, em contacto telefónico com o JN, cerca das 19.30 horas, 14.30 em Miami. "Há alguma apreensão, mas não estamos assustados", acrescentou, confiante na experiência dos americanos em situações do género.

"Recebemos avisos na televisão e no telemóvel", disse. Rui ativou os "Alertas Governamentais" nas definições do iPhone e é assim que vai sabendo as novidades. "Enviam alertas consoante o bairro onde se está, com indicações sobre o que fazer", explicou. "Se calhar era uma boa medida para Portugal, para alertar as pessoas em caso de incêndio, visto que não temos problemas com furacões", acrescentou.

João Prudente também se sente em segurança. No abrigo há polícia, Cruz Vermelha e Exército. É do ponto de Wi-Fi montado pelos militares que alimenta a conversa com o JN. A qualidade da chamada não é a melhor, mas aguenta-se bem, tendo em conta que estão cerca de 500 pessoas ligadas à mesma rede de campanha.

"O abrigo não está cheio, temos espaço. Não há colchões, tivemos de dormir no chão e está frio, porque o ar condicionado foi programado para uma enchente e estão cá cerca de 500 pessoas", contou João, que prudente, foi precavido com umas barras energéticas para o pior. "Temos refeições três vezes ao dia, o que foi uma boa surpresa", acrescentou.

"Estou à espera que passe. Já reservei um hotel e conto sair daqui a pouco", disse João Prudente. Milhas a norte, na mesma cidade de Miami, Rui Morgado é mais cauteloso. "O problema não é só o durante. É também o depois. Não sabemos quanto tempo vai demorar e que estragos vai provocar", explicou.

Sossegado em casa, em família, Rui vai passando o tempo entre as conversas a vigília ao estado do tempo e uns filmes. Têm água, enlatados, bateria de emergência, lanternas e os telefones carregados. "Neste momento apenas nos resta aguardar e seguir as recomendações dos noticiários que estão a seguir a situação 24 horas por dia".

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