Covid-19

Portugueses nos Camarões têm medo

Portugueses nos Camarões têm medo

"Tenho medo de estar aqui", afirmou Paulo Fonseca, profissional de telecomunicações, neste momento retido nos Camarões e sem saber quando conseguirá sair daquele país africano.

Atualmente, os dois portugueses que estão no país estão a ser vítimas de ameaças por parte da população local que os acusa, tal como aos outros cidadãos não negros, de serem os responsáveis pela entrada no país do Covid-19.

Paulo Fonseca, do Porto, e Pedro Mendes, de Aveiro, não se conhecem mas estão a viver os dois "um filme de terror". Pedro e a mulher, de nacionalidade francesa, foram aos Camarões visitar familiares. Paulo viajou no dia 11 de março para trabalhar na organização do campeonato africano de futebol. Já no país, Paulo foi informado que o campeonato tinha sido suspenso e começou a saga de tentar voltar a Portugal.

"O espaço aéreo está completamente interdito e as fronteiras terrestres fechadas", disse ao JN Paulo Fonseca. Confinado ao interior de um hotel, Paulo quando vem "à porta apanhar ar", é insultado e "até as crianças começam a fingir espirros e tosse" simulando estarem doentes. "É muito difícil contactar com as instituições em Portugal. Nos Camarões, tenho de falar com a Embaixada de Portugal na Nigéria e não vejo solução à vista", referiu.

"A minha saída terá de passar por negociações diplomáticas, ao mais alto nível, para que possa, por exemplo, viajar num avião francês ou aproveitar a boleia de um avião que venha a S. Tomé, que é mesmo aqui ao lado", diz Paulo Fonseca. Com o espaço aéreo fechado, só mesmo uma exceção pode permitir que um avião aterre nos Camarões. "É essa a minha esperança".

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