Migrações

Presidência francesa da UE quer criar arquivo policial de entradas

Presidência francesa da UE quer criar arquivo policial de entradas

A França quer adotar a primeira etapa do pacto migratório europeu durante este semestre em que preside ao Conselho da União Europeia, criando um arquivo policial comum com todas as entradas no bloco comunitário.

O objetivo, explicou o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, em entrevista à estação de rádio France Info, é poder verificar se uma pessoa que entra no espaço da União Europeia (UE) representa algum problema de segurança em qualquer dos países-membros, por exemplo, no caso de estar ligada a atividades terroristas na Síria. Mas a medida servirá também para fazer a gestão de pedidos de asilo, acrescentou.

O ministro francês sublinhou o apoio de Paris ao pacto em matéria de migração e asilo proposto pela Comissão Europeia (em setembro de 2020), cujo objetivo - lembrou - é garantir que no futuro "seja mais difícil entrar irregularmente na Europa".

Na sua opinião, atualmente "as fronteiras externas não são controladas" como deviam, algo que é evidente nos números que apontam que 185 mil pessoas entraram de forma irregular no espaço da UE.

Darmanin reconheceu, no entanto, que a contrapartida a este aumento de controlo que se pede aos países com fronteiras externas é a adoção real e prática do espírito de solidariedade. "Temos de ajudar países como a Grécia, a Itália ou a Espanha", sublinhou.

PUB

Mais tarde, as presidências do Conselho da UE que se seguirem à francesa (que termina em junho), terão de avançar com outras etapas do pacto migratório, nomeadamente, com a reforma do regime de asilo.

Para a França, os pedidos de asilo terão de ser avaliados enquanto os requerentes permanecerem confinados em campos nos países de entrada e "a chave de tudo é a rapidez do exame desses pedidos", que deve ser feito "em poucas semanas", pelo menos para determinar se uma pessoa é elegível para esse regime de proteção, defendeu o ministro.

As pessoas que receberem o aval para continuar com o processo poderão então entrar no território da UE com plenos direitos, mas as outras terão de ser expulsas, disse ainda Gérald Darmanin.

O ministro reiterou que Paris mantém a ideia de uma distribuição dos requerentes de asilo por quotas por país e que os Estados que não os queiram aceitar têm de compensar com um "apoio financeiro extremamente importante".

Triplicou número de migrantes resgatados ao largo de Calais

Questionado sobre os migrantes que vivem em tendas em acampamentos improvisados e muitas vezes desmantelados pela polícia da região de Calais (zona costeira no norte de França), Darmanin enfatizou que o seu Governo oferece soluções de acomodação para todos aqueles que as aceitem.

Segundo o ministro francês, há atualmente em Calais 300 quartos de hotel vazios, onde essas pessoas poderiam estar, mas que os migrantes não querem ocupar porque a sua intenção é atravessar clandestinamente para o Reino Unido.

O ministro ressaltou ainda que Paris está a tentar persuadir Londres a aceitar a assinatura de "um tratado" com a UE - não bilateral com a França - para gerir este problema.

As autoridades francesas avançaram, na semana passada, que o número de migrantes resgatados ao largo de Calais e acolhidos por França triplicou em 2021, ano que ficou marcado por um recorde de tentativas de travessia ilegal do Canal da Mancha para o Reino Unido.

No início do mês, a agência de notícias inglesa PA tinha indicado, citando dados do Ministério da Justiça britânico, que, em 2021, pelo menos 28.395 migrantes atravessaram ilegalmente para a costa inglesa a bordo de pequenas e frágeis embarcações.

De acordo com os dados avançados, o número representa mais do triplo do registado no ano anterior (cerca de 8.400).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG