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Presidente alemão pediu a demissão por suspeitas de corrupção

Presidente alemão pediu a demissão por suspeitas de corrupção

O presidente alemão, Christian Wulff, anunciou a demissão do cargo. O Ministério Público de Hannover, no norte da Alemanha, pediu na quinta-feira o levantamento da imunidade do presidente, suspeito de ter aceitado umas férias pagas e usado indevidamente um telemóvel gratuito.

Numa declaração, às 11 horas locais (10 horas em Portugal continental) no castelo de Bellevue em Berlim, Christian Wulff confirmou a demissão, que estava a ser antecipada pelas agências desde as primeiras horas da manhã.

"A confiança dos meus cidadãos está afectada. Por esta razão não me é mais possível exercer as minhas funções. É por isso que me demito", declarou solenemente Wulff, um conservador que a chanceler Agela Merkel conseguiu eleger dificilmente para a presidência em Junho de 2010.

A chanceler alemã, Angela Merkel marcou uma declaração para meia hora depois e anulou uma deslocação prevista para esta sexta-feira a Roma.

Wullf justificou a decisão com a perda de confiança que sofreu ultimamente por parte da população, devido às acusações de que foi alvo, que já não lhe permitiam representar o país interna e externamente.

O pedido de levantamento de imunidade do presidente, facto inédito na história da Alemanha, foi apresentado na quinta-feira ao Bundestag, para investigar se Wulff permitiu que o produtor cinematográfico David Groenewold, lhe tenha pago umas férias num hotel na ilha de Sylt, em 2007, quando era governador do Estado federado da Baixa-Saxónia.

Além disso, a procuradoria tenciona também apurar se Wulff utilizou gratuitamente, durante vários meses, um telemóvel da firma de Groenewold, que obteve uma fiança do Estado da Baixa-Saxónia a favor da sua firma.

Os advogados de Wulff alegaram que este reembolsou Groenewold, em dinheiro, pelo custo da sua estada e da sua mulher Bettina no hotel em questão, e pela utilização do telemóvel.

Mas a procuradoria de Hannover, "depois de examinar profundamente" a documentação disponível, concluiu que havia uma suspeita inicial de corrupção, e requereu o levantamento da imunidade do Presidente da República.

Os níveis de popularidade de Wulff, eleito presidente há menos de dois anos, eram, entretanto, os mais baixos de sempre de um chefe de Estado, depois de, nos últimos meses, ter estado também envolvido no caso de um empréstimo privado e de um empréstimo bancário a juros muito abaixo dos do mercado, e no caso de um contrato de "leasing" de uma viatura particular, a preços muito favoráveis.

Wulff já tinha admitido anteriormente, em entrevista televisiva, quando surgiram as primeiras suspeitas, que tentou evitar que o tablóide Bild revelasse os alegados contornos do seu empréstimo privado junto de um empresário amigo, e que ameaçou o respectivo chefe de redacção com o corte de relações.

Estas revelações foram, no entanto, apenas o princípio de uma avalancha de casos em que a actuação do Presidente foi posta em causa, quase todos passados durante os seus mandatos de governador da Baixa-Saxónia, entre 2003 e 2007, mas pelo menos um já como Chefe de Estado.

O novo Presidente da República terá de ser eleito na Assembleia Federal - colégio formado pelos deputados ao parlamento federal e igual número de cidadãos nomeados pelos 16 parlamentos regionais -, no prazo máximo de um mês a contar da demissão do anterior.

A actual coligação de centro direita, liderada por Angela Merkel, tem maioria absoluta na Assembleia Federal, mas depois do desfecho do caso Wulff, que em Junho de 2010 foi escolha sua para o mais alto cargo da Nação, é possível, segundo a generalidade dos observadores, que a chanceler opte por um candidato de consenso com a oposição.

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