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Presidente chinês fala de relações de sangue com Taiwan

Presidente chinês fala de relações de sangue com Taiwan

O presidente da República Popular da China, Xi Jinping, disse, este sábado, após um encontro sem precedentes com o homólogo de Taiwan, Ma Ying-jeou, que Pequim e Taipé deram hoje um "passo histórico" no sentido de um trabalho conjunto.

"Somos família e o sangue é mais espesso do que a água" disse Xi Jinping no início da reunião, referindo-se à história comum entre a República Popular da China e Taiwan separadas pelo Estreito da Formosa e por um conflito que se prolonga desde 1949, data que marca a vitória dos comunistas liderados por Mao Zedong sobre as forças nacionalistas do Kuomintang de Chiang Kai-Shek, durante a guerra civil.

"O estreito não pode evitar que parentes e amigos sintam a falta uns dos outros", sublinhou o presidente da República Popular da China após um longo cumprimento -- um aperto de mão de 82 segundos -- a Ma Ying-jeou, em Singapura.

O presidente de Taiwan, após o encontro com o chefe de Estado da República Popular da China, disse que o encontro teve como ponto central a consolidação dos "consensos" firmados em 1992 no sentido da "consolidação da paz".

Ma acrescentou que durante a reunião foi debatida a vontade de Taipé perante Pequim - que não reconhece a República da China como Estado -- que permita uma maior participação de Taiwan em organismos internacionais.

"Esperamos menos interferência quando Taiwan quiser participar em alguns organismos. Xi disse que iria ter o pedido em conta e que iria fazer ajustes", revelou Ma Ying-jeou.

Em concreto, as duas partes mencionaram a possibilidade de Taiwan vir a incorporar-se no Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, criado após iniciativa de Pequim, entre outros organismos como o Acordo Transpacífico de Cooperação Económica.

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Taiwan mantém atualmente relações diplomáticas com apenas 22 países e tenta há vários anos fazer parte, como observador, de organismos técnicos das Nações Unidas.

Ma Ying-jeou afirmou também que os mísseis dos respetivos países apontados para cada um dos lados do Estreito da Formosa "não ajudam à criação de laços" e que os cidadãos de Taiwan estão "preocupados com a questão da segurança" numa altura em que se verifica um fortalecimento económico da República Popular da China a nível mundial.

Ambas as partes afirmaram que a base de entendimento entre Pequim e Taipé é o consenso conseguido em 1992, quando foram alcançados os primeiros acordos.

Mesmo assim, Ma -- em contrate com a delegação comunista -- recordou que o consenso de 1992, estabeleceu que cada uma das partes tem uma interpretação do que é a China.

Segundo os acordos conseguidos há 23 anos, existe apenas uma China, apesar de que para os comunistas é a República Popular e para a outra parte seja a República da China, herdeira do regime instaurado em 1911 com a revolução que derrubou a dinastia Qing.

O encontro histórico que decorreu num hotel de Singapura e não produziu qualquer declaração final sendo que as declarações à imprensa por parte de Taiwan foram feitas pelo próprio chefe de Estado mas do lado de Pequim a conferência de imprensa ficou a cargo de Zhang Zhijun, do Gabinete dos Assuntos de Taiwan que faz parte do Conselho de Estado da República Popular da China.

Zhang Zhijun sublinhou que a República Popular da China está disposta a "partilhar" os frutos do desenvolvimento económico com Taiwan mas insistiu que Taiwan deve repensar as "veleidades independentistas".

"O independentismo é mau para Taiwan e todos os taiwaneses deviam estar unidos para o rechaçar", declarou o responsável da República Popular da China.

Zhang abordou de forma implícita a "interferência externa" dos Estados Unidos que "garante a segurança de Taiwan" afirmando que os "irmãos chineses têm a capacidade e a sabedoria para resolver os seus problemas".

O encontro de Singapura está a ser fortemente contestado pelos independentistas de Taipé, sobretudo pelo Partido Democrata Progressista (PDP), apontado como favorito para as eleições presidenciais e legislativas marcadas para janeiro de 2016.

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