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Presidente da Bielorrússia acusa oposição de querer usurpar o poder

Presidente da Bielorrússia acusa oposição de querer usurpar o poder

O Presidente bielorrusso, Alexandr Lukashenko, acusou esta terça-feira a oposição de querer usurpar o poder, ao décimo dia de grandes manifestações e de greves em protesto contra os resultados das eleições presidenciais de 9 deste mês.

Ao discursar numa reunião do Conselho de Segurança bielorrusso, Lukashenko considerou que o "Conselho Coordenador", criado pela oposição e destinado a promover uma transição política, está a tentar usurpar o poder, segundo reportou a agência noticiosa estatal Belta.

Por outro lado, anunciou a mobilização do Exército para a fronteira ocidental para dissuadir uma suposta ameaça externa.

"Exigem-nos, nem mais nem menos, que lhes cedamos o poder. Isto só interpretamos de uma forma: é uma tentativa para tomar o poder com todas as suas consequências", sublinhou o Presidente da Bielorrússia.

Lukashenko, a quem a oposição exige que renuncie após as eleições presidenciais, - segundo os dados oficiais venceu a votação com pouco mais de 80% dos votos -, ameaçou também os membros do Conselho Coordenador, que inclui a prémio Nobel da Literatura Svetlana Alexievitch, com "medidas adequadas".

"Temos formas suficientes para acalmar algumas cabeças quentes. Mas exclusivamente com base na Constituição e nas leis", acrescentou.

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O Presidente bielorrusso considerou alguns membros do Conselho Coordenador como "nazis" e acusou a oposição de pretender proibir a língua russa e de abandonar a União Estatal com a Rússia.

Esta afirmação foi veementemente negada por uma das principais dirigentes da oposição, Maria Kolesnikova, que acusou Lukashenko de "manipulação e de tentativa para enganar" os bielorrussos.

O Conselho Coordenador da oposição bielorrussa realizou esta terça-feira a primeira reunião. "Não é um partido político, mas sim uma comunidade de cidadãos que deve ter influência na transição política", explicou Kolesnikova.

Por outro lado, Lukashenko anunciou que colocou em estado de alerta as tropas na fronteira ocidental do país como uma reação a uma suposta ameaça exterior.

"Estamos a reagir e destacamos unidades militares do nosso exército para as fronteiras ocidentais da república e pusemo-las em estado de alerta máximo", afirmou.

Lukashenko, que esta terça-feira voltou a falar ao telefone com o homólogo russo, Vladimir Putin, aludiu às declarações de "alguns dirigentes ocidentais", defendendo que "muitos não sabem sequer onde fica a Bielorrússia".

"E não sabem o que aqui se passa. De qualquer forma, fazem essas declarações. Como dizem os militares, o fator exterior obriga a valorizar a situação e a atuar como é necessário", sublinhou.

O Presidente da Bielorrússia, que não especificou a que declarações se referia nem nomeou quem as proferiu, assumiu que "atualmente" existem "não só problemas internos como também externos".

"Vemos claramente o facto de estas ações serem coordenadas. Mas isto nem sequer é o pico", advertiu.

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