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Order! Presidente da Câmara dos Comuns John Bercow diz adeus a Westminster

Order! Presidente da Câmara dos Comuns John Bercow diz adeus a Westminster

O presidente da Câmara dos Comuns do parlamento britânico, John Bercow, anunciou que não vai recandidatar-se a deputado e que pretende demitir-se a 31 de outubro.

"Nas eleições de 2017, prometi à minha esposa e filhos que seria o meu último [mandato]. Esta é uma promessa que pretendo manter. Se a Câmara votar hoje à noite em eleições legislativas antecipadas, o meu mandato como Presidente e deputado terminará quando este Parlamento terminar", começou por dizer, numa declaração durante o plenário esta tarde.

Acrescentou ainda que, se a assembleia não votar nesse sentido, entende que "o menos perturbador e mais democrático" será cessar funções no encerramento da sessão de quinta-feira, 31 de outubro.

"O menos perturbador, porque essa data acontecerá logo após as votações ao Discurso da Rainha esperadas nos dias 21 e 22 de outubro, e a semana seguinte também poderá ser bastante animada e será melhor ter uma figura experiente na presidência", justificou.

Na sua opinião, esta opção é também mais democrática porque permitirá uma votação quando todos os membros têm algum conhecimento dos candidatos.

"É muito preferível a uma eleição no início de um parlamento, quando os novos deputados não estarão informados da mesma forma e podem encontrar-se vulneráveis a influência institucional indevida", acrescentou.

Bercow, um conservador com 56 anos, foi escolhido pelos pares para ocupar o cargo em 2009, tornando-se no mais jovem detentor do título de presidente da Câmara dos Comuns.

No sábado, a antiga ministra para os assuntos parlamentares e atual ministra da Economia, Andrea Leadsom, escreveu no jornal Daily Mail que o partido Conservador deveria romper com a tradição e apresentar um candidato concorrente no circulo eleitoral de Bercow, em Buckingham.

Leadsom considerou que Bercow "infringiu as regras" ao autorizar a um grupo de deputados um debate de emergência sobre o 'Brexit' que permitiu a introdução de um projeto de lei para forçar o Governo a um novo adiamento da data de saída, prevista para 31 de outubro, por três meses.

O líder do partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, louvou o presidente da Câmara dos Comuns por ter tornado o parlamento e o cargo que desempenha "mais fortes".

"Penso que a escolha de data e hora [de demissão] é incomparável, será registada nos livros de história da democracia parlamentar. Sr. Presidente, em nome do Partido Trabalhista, agradeço o seu trabalho na promoção da democracia e desta casa", concluiu.

O ministro e chanceler do Ducado de Lancaster, Michael Gove, em nome do Governo, reconheceu o que Bercow descreveu como sendo "o mecanismo de salvaguarda [backstop] dos deputados", mesmo se o governo nem sempre concordou.

"A história vai reconhecer que a maneira como utilizou o procedimento de perguntas urgentes e outros procedimentos para confrontar o Executivo restaurou vida e vigor no Parlamento", disse.

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