O Jogo ao Vivo

Espanha

Puigdemont suspende independência catalã para haver negociações

Puigdemont suspende independência catalã para haver negociações

O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, declarou a independência da região, mas pediu a sua suspensão de imediato para dar lugar a negociações, esta terça-feira, no Parlamento.

Depois das intervenções dos partidos em resposta ao líder catalão, 72 deputados assinaram a declaração de independência da Catalunha no auditório do parlamento, já perto das 21 horas (hora portuguesa). Antes, na abertura da sessão plenária, Puiggdemont fez um longo discurso que contextualizou a decisão tomada esta terça-feira.

"Há um antes e um depois de 1 de outubro. Conseguimos o que nos comprometemos. Chegados a este ponto histórico, assumo perante todos o mandato do povo para que a Catalunha se converta num Estado independente, sob a forma de República", afirmou Puigdemont, sendo fortemente aplaudido pela bancada independentista.

De seguida, o líder do Governo catalão acrescentou: "O Governo e eu mesmo propomos que o parlamento suspenda os efeitos da declaração de independência para nas próximas semanas empreender um diálogo sem o qual é impossível alcançar uma solução acordada".

Carles Puigdemont defendeu que, neste momento, é imperioso que "se reduza a tensão e também que haja uma vontade clara e comprometida para avançar quanto às exigências do povo da Catalunha a partir do resultado do referendo".

O resultado do referendo de 1 de outubro, que deu vitória ao sim pela independência e que foi considerado ilegal pela Justiça espanhola, garantiu o líder catalão, terá de ser tido "em conta de forma imprescindível na época do diálogo" que se pretende abrir. Puigdemont sublinhou os repetidos apelos ao diálogo e as várias ofertas de mediação, "algumas públicas, outras não".

"Não somos delinquentes, não somos loucos, são somos golpistas. Somos gente normal, que pede para votar", disse, na sua intervenção, em que vincou que os catalães apenas conhecem a linguagem das urnas.

A sua intervenção, de cerca de 25 minutos, terminou com um apelo direto "à responsabilidade de todos" - cidadãos, empresários, políticos, meios de comunicação, Governo e União Europeia.

"Aos cidadãos da Catalunha, que continuem a expressar-se como até agora, com total liberdade e respeito pelos que pensam de forma diferente. Às empresas e agentes económicos, peço que continuem a gerar riqueza. Às forças políticas, que contribuam com as suas palavras e ações para diminuir a tensão, tal como os meios de comunicação", disse.

Por fim, pediu ao Governo espanhol "que escute", se não às autoridades catalãs, então "aos que fazem o apelo à mediação, à comunidade internacional e aos milhões de cidadãos por toda a Espanha que pedem que renuncie à repressão e à imposição".

Puigdemont pediu ainda à União Europeia que se "empenhe a fundo e que vele pelos seus valores fundacionais".

Madrid considera inadmissível declarar independência e suspendê-la

O Governo espanhol considerou inadmissível "efetuar uma declaração de independência para de imediato deixá-la em suspenso de forma explícita", numa alusão ao discurso do presidente da Catalunha.

Em caso de declaração de independência, o Governo espanhol pode ativar o artigo 155.º, nunca usado desde que a Constituição foi escrita, que permite a suspensão da autonomia catalã e dá ao Governo central poderes para adotar "as medidas necessárias" para repor a legalidade.

O governo de Rajoy pode ainda ordenar a detenção de Puigdemont, por rebeldia e sedição, como aconteceu com o catalão Lluís Companys, em 1934.

Rajoy também pode aplicar a Lei de Segurança Nacional ou tentar juntar apoios no Congresso dos Deputados para apoiar a declaração do Estado de Emergência ou o Estado de Sítio na Catalunha.