Diplomacia

Presidente da Turquia reclama "apoio concreto" da NATO na Síria

Presidente da Turquia reclama "apoio concreto" da NATO na Síria

O Presidente da Turquia reclamou esta segunda-feira em Bruxelas "apoio concreto" da NATO para a defesa da sua fronteira com a Síria, que reclama estar a travar sozinho, tendo o secretário-geral da Aliança Atlântica recordado os apoios já prestados a Ancara.

No final de uma reunião na representação permanente da Turquia junto da UE, Recep Tayyip Erdogan e Jens Stoltenber compareceram perante os jornalistas, mas limitaram-se a fazer uma intervenção, cada, sem direito a perguntas.

Intervindo primeiro, Erdogan começou por lembrar o "ataque hediondo" de 27 de fevereiro passado na região síria de Idlib, por forças do regime sírio de Bashar al-Assad com o apoio da Rússia, que vitimou dezenas de militares turcos, apontando que no dia seguinte, numa reunião extraordinária do Conselho do Atlântico Norte, solicitou "apoio adicional" aos Aliados.

Apontando que "a fronteira turco-síria é também a fronteira do sudeste da NATO" e que a crise na Síria é uma ameaça não só à região, mas para toda a Europa, Erdogan sustentou que "nenhum país europeu pode dar-se ao luxo de ficar indiferente ao conflito e tragédia humanitária na Síria".

"Esperamos apoio concreto de todos os nossos aliados para esta luta que a Turquia tem travado sozinha e com grande sacrifício", disse, recordando uma vez mais que o seu país acolhe 3,7 milhões de refugiados sírios, e rejeitando as acusações de que Ancara é a responsável pela atual crise migratória na fronteira com a União Europeia, e designadamente a Grécia.

Para Erdogan, é "essencial que os Aliados mostrem solidariedade" com a Turquia, e que o apoio adicional solicitado "seja prestado sem mais demoras".

Por seu lado, Jens Stoltenberg, voltou a reconhecer que "a Turquia é o Aliado mais afetado pelo conflito na Síria" mas fez também questão de recordar as "várias medidas" de apoio que a NATO tem prestado, e vai continuar a prestar à Turquia, "incluindo sistemas de mísseis de defesa que ajudam a proteger a Turquia de ameaças desde a Síria".

"Também apoiamos a Turquia com presença área e naval. E, ao longo dos anos, a NATO investiu mais de 5 mil milhões de dólares norte-americanos em instalações militares, incluindo importantes infraestruturas como bases navais e sistemas de radares. Tudo isto demonstra o forte compromisso da NATO com a segurança da Turquia", sublinhou.

Stoltenberg disse que a NATO "reconhece que a Turquia está a carregar um fardo pesado", mas, acrescentou, "a Turquia deve também desempenhar o seu papel para encontrar uma solução a longo prazo para esta crise" na região.

O secretário-geral da NATO disse então seguir "com grande preocupação a crise migratória" e a tensão na fronteira da Turquia com a Grécia, e, saudando o diálogo entre Turquia e União Europeia -- que esta segunda-feira conhecerá novos desenvolvimentos com um encontro de Erdogan com os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen -, disse acreditar que será possível encontrar um compromisso.

Minutos antes, à chegada à sede do Conselho, o presidente desta instituição disse esperar um diálogo "franco e aberto" com o Presidente turco, apontando que o principal objetivo é avaliar se "é possível ultrapassar os diferentes problemas" que marcam esta segunda-feira esta relação.

"Temos opiniões diferentes sobre diferentes temas, e daí ser importante ter um diálogo franco e aberto para ver se é possível ultrapassar os diferentes problemas. Para nós, é importante a implementação do acordo entre a Turquia e a UE sobre migrações", declarou, à chegada ao Conselho Europeu, para uma reunião com Erdogan, na qual participará também Von der Leyen.

Charles Michel apontou que, além da questão das migrações, à luz da atual crise na fronteira entre Turquia e Grécia, na sequência da decisão de Erdogan de 'abrir as portas' da Europa aos refugiados que se encontram em solo turco, serão também discutidas outras matérias, designadamente como "melhorar a estabilidade na região, sobretudo na Síria".

Também esta segunda-feira, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse esperar que a reunião de dirigentes da União Europeia com o Presidente turco contribua para clarificar que as fronteiras da UE não estão abertas aos migrantes.

Milhares de migrantes tentam atravessar a fronteira entre a Turquia e a Grécia desde que o presidente turco anunciou, em 29 de fevereiro, que havia deixado de respeitar um acordo de março de 2016 com a UE, no qual se previa a permanência de migrantes na Turquia, em troca de apoio financeiro europeu a Ancara.

A UE tem rejeitado vigorosamente o que classifica como uma "chantagem" de Erdogan, tendo na sexta-feira os chefes da diplomacia da UE, reunidos em Zagreb, deplorado o "uso político de migrantes" e pedido a Ancara que não quebrasse os compromissos no acolhimento de refugiados.

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