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Presidente do Irão reconhece crise de confiança e pede mudanças no Governo

Presidente do Irão reconhece crise de confiança e pede mudanças no Governo

O presidente iraniano, Hassan Rohani, apelou a uma grande mudança no Governo do país, reconhecendo implicitamente que há crise de confiança nas autoridades, sendo as eleições legislativas marcadas para fevereiro um primeiro passo nesta direção.

Um dos motivos para a crise de confiança seria o derrube do Boeing 737 da companhia aérea Ukrainian International Airlines (UIA), que foi abatido pelas forças iranianas há uma semana em Teerão e matou 176 pessoas, a maioria iranianas e canadianas.

Rohani pediu "unidade nacional" e "reconciliação nacional" depois de as autoridades terem reconhecido tardiamente a responsabilidade pela tragédia, o que desencadeou explosões de raiva e indignação populares desde sábado.

Referindo-se a uma série de eventos "trágicos" desde o início de janeiro - da morte do importante general iraniano Qassem Soleimani - num ataque dos Estados Unidos a 3 de janeiro - à catástrofe que classificou como "inaceitável" do voo da UIA -, Rohani disse que se impõe "uma grande decisão" dentro do sistema político iraniano.

"E essa decisão importante (...) é a reconciliação nacional" declarou. As eleições legislativas, marcadas para 21 de fevereiro, "devem ser o primeiro passo", disse o presidente, num discurso perante o conselho de ministros e transmitido, excecionalmente, em direto pela televisão estatal.

Para estas eleições, "o povo quer diversidade", defendeu o chefe de Estado, em tom muito determinado, exortando as autoridades responsáveis pela validação dos candidatos a não desqualificarem o tempo todo.

"As pessoas são o nosso mestre (...) e nós somos seus servos. O servo deve dirigir-se ao mestre com modéstia, precisão e honestidade", acrescentou também Rohani. "As pessoas querem garantir que as autoridades as tratem com sinceridade, integridade e confiança", afirmou.

"Exorto as forças armadas e ao Estado-Maior a explicarem às (...) pessoas o que aconteceu desde o acidente (do avião ucraniano) até ao momento em que [a verdade] foi anunciada (...) para que entendam que não queremos esconder nada", acrescentou.

"Se houve um atraso [na transmissão de informações], peçam desculpas", disse Rohani.

Após dois dias a negar oficialmente a tese de que um míssil havia sido disparado contra o Boeing abatido a 8 de janeiro após descolar de Teerão, as forças armadas iranianas reconheceram a sua responsabilidade no sábado, invocando "erro humano".

O Governo disse que não foi avisado pelos militares até à passada sexta-feira.

Antes da morte do general Soleimani e do derrube do avião ucraniano, a população iraniana já estava nas ruas a protestar contra o Governo, nomeadamente contra o aumento dos preços dos combustíveis.

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