Política

Presidente do Iraque ameaça demitir-se após recusar candidato a primeiro-ministro

Presidente do Iraque ameaça demitir-se após recusar candidato a primeiro-ministro

O presidente iraquiano, Barham Saleh, evocou esta quinta-feira a possibilidade de se demitir, explicando que recusa propor ao parlamento o nome do candidato da aliança liderada por paramilitares pró-Irão para o cargo de primeiro-ministro, agravando a crise política.

Numa carta enviada ao parlamento, o chefe de Estado declarou-se garante da "integridade" e da "independência" do Iraque e "pronto a demitir-se".

Saleh explica que a Constituição o obriga a propor ao parlamento o candidato da "maior coligação", o que reivindica a aliança liderada pelos paramilitares pró-Irão, mas é contestado por outras forças políticas.

"O presidente não tem constitucionalmente o direito de se opor (...) por isso anuncio aqui que estou pronto a demitir-me perante o parlamento", indica Saleh na carta.

O Iraque é desde 1 de outubro palco de um movimento de contestação sem precedente, sobretudo em Bagdad e nas cidades do sul, que já causou perto de 460 mortos e 25000 feridos, quase todos manifestantes.

Os contestatários, entre os quais muitos jovens, exigem o fim da corrupção e incompetência e a renovação de uma classe política inalterada há 16 anos.

Desde que o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi se demitiu no final de novembro, os pró-Irão pressionaram para que fosse substituído pelo ministro do Ensino Superior do governo demissionário e, não conseguindo impô-lo ao presidente, já têm outro nome: o governador de Bassorá, Assaad al-Aidani.

Os manifestantes exigem um governo de independentes e tecnocratas, recusando os "candidatos dos partidos".

"Não queremos um Assaad iraniano", gritaram esta quinta-feira contestatários em Kout, cidade do sul, enquanto em Nassiriya (sul) Sattar Jabbar, um manifestante de 25 anos, acusou: "o governo é refém dos partidos corruptos e das divisões confessionais".

"Continuaremos o movimento apesar da repressão das autoridades e dos homens armados das milícias", prometeu Ali Jihad, outro dos manifestantes em Nassiriya, citado pela agência France Presse.

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