Investigação

Presidente do Quénia elogia "Pandora Papers", mas não responde a acusações

Presidente do Quénia elogia "Pandora Papers", mas não responde a acusações

O Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, considerou, esta segunda-feira, que a investigação "Pandora Papers", que acusa centenas de políticos e familiares de ocultarem ativos em empresas offshore, incluindo o próprio, vai "melhorar a transparência financeira" a nível internacional.

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, em inglês) publicou, no domingo, um novo trabalho no qual revela que 14 líderes mundiais no ativo esconderam fortunas de milhares de milhões de dólares para não pagarem impostos. A este número juntam-se 21 líderes que já não estão no poder e que também ocultaram propriedades e rendimentos.

A investigação alega que Kenyatta, que diz querer combater a corrupção, possui secretamente uma rede de 11 empresas offshore com seis membros da família, incluindo uma com ativos no valor de 30 milhões de dólares (25,8 milhões de euros).

Uhuru Kenyatta, filho do primeiro Presidente do Quénia, Jomo Kenyatta, pertence a uma família que tem dominado a vida política do país desde a sua independência e que detém um vasto império empresarial que abrange áreas como transportes, seguros, hotelaria, agricultura e banca.

Num comunicado, o chefe de Estado queniano apontou que a investigação vai "ajudar a melhorar a transparência financeira e a abertura necessárias no Quénia e em todo o mundo". "Os fluxos ilícitos de dinheiro, lucros de crime e a corrupção prosperam num ambiente de segredo e escuridão", referiu, citado pela agência France-Presse, num comunicado em que não aborda as acusações contra si.

Embora a detenção de ativos em empresas offshore ou a utilização de empresas de fachada não seja ilegal em muitos países, as revelações representam uma ameaça para o estatuto de líderes que defendem a austeridade ou a luta contra a corrupção.

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Segundo o jornal "Expresso", que faz parte do consórcio, há três portugueses envolvidos: os antigos ministros Nuno Morais Sarmento e Manuel Pinho e o advogado e antigo deputado socialista Vitalino Canas. Entre os nomes referidos na investigação, estão o Rei Abdallah II da Jordânia, o primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babis, e o Presidente do Equador, Guillermo Lasso, revela a investigação, publicada em órgãos de informação como The Washington Post, BBC e The Guardian.

A investigação revela ainda novos detalhes sobre importantes doadores estrangeiros do Partido Conservador do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e detalha atividades financeiras questionáveis do "ministro oficioso de propaganda" do Presidente russo, Vladimir Putin.

O ICIJ diz ter baseado a sua investigação numa "fuga sem precedentes", envolvendo quase 12 milhões de documentos, trabalhados por 600 jornalistas, a "maior parceria da história do jornalismo".

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