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Presidente do Senado russo contra "caça às bruxas"

Presidente do Senado russo contra "caça às bruxas"

A presidente do Conselho da Federação (Senado) da Rússia, Valentina Matviyenko, alertou para uma "caça às bruxas" daqueles que rejeitam a "operação militar especial" na Ucrânia.

"Precisamos que não haja uma 'caça às bruxas'. Se começar, seria a pior coisa que poderia acontecer, disse Valentina ​​​​​​​Matviyenko em plenário antes de o senador Pavel Tarakanov propor um mecanismo para interditar figuras ligadas ao setor da cultura que se manifestaram contra as ações militares russas em território ucraniano.

De acordo com Pavel Tarakanov, essas pessoas deveriam ser proibidas de ocupar cargos estatais e participar em projetos com presença estatal.

O senador indicou que, no início da guerra na Ucrânia, várias personalidades da cultura declararam-se envergonhadas e abandonaram o país.

Pavel Tarakanov observou que "durante oito longos anos elas [artistas] ficaram em silêncio e indignadas com os assassínios no Donbass pelas Forças Armadas da Ucrânia e pelos batalhões nacionalistas".

Também assegurou que se tratam de "pseudo-pacifistas" e "traidores", que estão interessados na sua "admissão, fama e reconhecimento no Ocidente".

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Por seu lado, senadora Liudmila Narusova lembrou aos seus colegas que, de acordo com a Constituição russa, todos os cidadãos têm o direito de expressar a sua opinião.

"E a Constituição não contempla nenhuma sanção se essa opinião não coincidir com a do Estado", anotou Narusova, viúva de Anatoli Sobchak, que foi presidente da Câmara Municipal de São Petersburgo e considerado mentor do presidente russo Vladimir Putin.

Além disso, acrescentou, "chamar [alguém] de traidor, porque não concorda com algo, é inadmissível, porque traição é crime, e isso só pode ser julgado por um tribunal".

Matviyenko, o terceiro mais alto funcionário da Rússia, resumiu o debate assinalando a inconveniência de estudar a proposta de Tarakanov, afirmando que "a sociedade já deu a sua resposta às ações de certas pessoas".

"O mais importante é que a sociedade rejeitou este tipo de comportamento no momento mais difícil para o país, quando todos tinham de pensar nos interesses do país, na segurança e na defesa da soberania", sublinhou.

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