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Presidente e primeiro-ministro do Burkina Faso levados para campo militar

Presidente e primeiro-ministro do Burkina Faso levados para campo militar

O presidente do Burkina Faso, Michel Kafando, e o primeiro-ministro, Isaac Zida, foram esta quarta-feira transportados para um campo militar na capital, Ouagadougou, por membros da guarda presidencial que os mantinham reféns desde esta tarde, noticiou a imprensa local.

Os ministros do Governo de transição burquinês, que também foram feitos reféns juntamente com Kafando e Zida no Palácio de Kosyam, pelas 14.30 horas locais (15.30 horas em Portugal continental de Lisboa), continuam na sede da presidência.

O presidente do Conselho Nacional de Transição, Moumina Cheriff Sy, alertou os burquineses de que a nação "está em perigo" e instou-os a "mobilizar-se para defender a pátria", segundo uma declaração divulgada pelos 'media' daquele país da África Ocidental.

Segundo Cheriff Sy, há "tentativas de diálogo em curso" entre a alta hierarquia militar do país e os líderes do Regimento de Segurança Presidencial (RSP), o grupo que mantém retidos os governantes burquineses.

Membros da guarda presidencial irromperam pela sala do conselho de ministros e fizeram reféns, além do Presidente e do primeiro-ministro, os titulares das pastas do Trabalho e Segurança Social, Augustin Loada, e da Habitação e Urbanismo, René Bagoro.

"Esta enésima interrupção de membros da RSP é um grave ataque à República e suas instituições", acusou Cheriff Sy.

Soldados da guarda presidencial ergueram barricadas em torno do palácio de Kosyam para evitar que alguém saia da zona, disse à Efe um funcionário da sede presidencial, Achille Tapsoba.

Entretanto, espalhou-se o pânico na capital, cujos habitantes encerraram os seus estabelecimentos comerciais antes da hora habitual e correram para casa por medo dos protestos.

Estão marcadas para outubro eleições no Burkina Faso, para pôr fim à transição civil iniciada há um ano, após os protestos populares que acabaram com quase três décadas de ditadura de Blaise Compaoré, responsável pelo assassínio do ex-presidente Thomas Sankara.

Entretanto, a polícia começou a disparar para dispersar jovens que se concentraram na emblemática Plaza de la Nación, junto ao palácio presidencial.

O incidente ocorre dois dias depois de a Comissão de Reconciliação Nacional ter recomendado que o RSP fosse dissolvido e lhe fossem retiradas as funções de proteger o chefe de Estado o país.

A guarda presidencial foi acusada por movimentos de direitos humanos de estar por detrás de várias execuções extrajudiciais.

Este corpo de segurança manteve, desde o primeiro dia, relações tensas com o primeiro-ministro Zida, que tinha sido 'número dois' da guarda presidencial quando Compaoré era Presidente.

Os guardas da RSP acusam o militar Zida de conspirar para permanecer no poder após o final do período de transição, assim que se realizem as eleições marcadas para 11 de outubro.

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