Polémica

Presidente ucraniano quer investigação às escutas que levaram à demissão do primeiro-ministro

Presidente ucraniano quer investigação às escutas que levaram à demissão do primeiro-ministro

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, exigiu esta sexta-feira uma investigação judicial às escutas que provocaram a demissão do primeiro-ministro, Oleksiy Honcharuk, que supostamente criticou o chefe de Estado durante uma reunião que foi gravada sem a sua autorização.

"Exijo que dentro de duas semanas, se possível antes, recebamos a informação sobre quem fez as gravações (...) encontremos que as fez e esclareceremos a situação", informou em comunicado a presidência ucraniana.

Zelenski, que se dirigia às forças de segurança, sublinhou que a investigação deve clarificar quem participou nas referidas conversas e esclarecer as circunstâncias em que decorreram.

Numa série de gravações difundidas esta semana pela rede social Youtube escutam-se vozes parecidas com as do primeiro-ministro, da subdiretora do Banco Nacional da Ucrânia, Ekaterina Rozhkova, e da ministra das Finanças, Oksana Markarova, em que debatem a política económica do país, questionando as capacidades do chefe de Estado.

O homem cuja voz que se assemelha à de Honcharuk afirma durante a conversa que o Presidente ucraniano "não percebe nada de economia".

"Nos media houve muitas falsidades sobre a presença de uns ou outros funcionários. Sobre a fotografia publicada nos media, terá de ser esclarecido se toda essa gente participou, ou não, [nas conversas]", disse Zelenski.

Revelou ainda que o primeiro-ministro lhe explicou que a reunião, à qual pertence a gravação publicada, se prolongou por cinco horas.

O Presidente também ordenou medidas para evitar incidentes semelhantes no futuro e recordou que as escutas ou a manipulação de conversações em instituições estatais são ilegais.

O Servidor do Povo, o partido do Presidente, já informou que aceitará por unanimidade a demissão do primeiro-ministro, caso seja apoiada por Zelenski.

Honcharuk, 35 anos, que tomou posse como chefe do Executivo em agosto de 2019, apresentou esta sexta-feira a demissão ao Presidente após a divulgação pública das polémicas gravações, onde o chefe de Estado é criticado.

"Assumi o posto para aplicar o programa do Presidente. Para mim, ele é um exemplo de transparência e honradez. No entanto, para eliminar qualquer dúvida sobre o nosso respeito e confiança no Presidente, escrevi uma carta de renúncia e vou apresentá-la ao Presidente com a opção de remetê-la ao parlamento", alegou no Facebook.

O primeiro-ministro assegura que o áudio comprometedor foi "manipulado" e procura "criar artificialmente" a ideia de que a sua equipa não respeita o chefe de Estado, "um homem no qual os ucranianos depositaram uma confiança sem precedentes".

O primeiro-ministro afirmou que o Presidente "tem todo o direito de avaliar a competência de cada membro da sua equipa, responsável por aplicar as alterações que o país necessita".

Na sequência da divulgação pública das gravações, vários deputados exigiram a renúncia de Honcharuk, que se defendeu ao desvincular-se do áudio e afirmando inicialmente que prosseguira nas suas funções.

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