África do Sul

Presidente Zuma defende intervenção policial em Marikana

Presidente Zuma defende intervenção policial em Marikana

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, defendeu, esta segunda-feira, a intervenção policial destinada a "estabilizar a situação" em Marikana e alertou para os danos económicos provocados pelas greves.

Discursando na abertura do congresso da maior central sindical do país, a COSATU, Zuma atacou aqueles que compararam as operações policiais na zona das minas de platina, no noroeste do país, às medidas tomadas pelo regime do "apartheid", e classificou-os como "irresponsáveis" e "oportunistas".

"Eles sabem que o que dizem não é verdade. Eles estão de forma desavergonhada a utilizar uma tragédia para marcar pontos políticos em vez de colocarem os interesses dos trabalhadores e do país em primeiro lugar", salientou o Presidente num longo discurso perante delegados e dirigentes sindicais em Midrand, a norte de Joanesburgo.

Lançando várias "indiretas" a Julius Malema, o ex-líder da Juventude do seu partido, expulso hoje de Marikana pela polícia quando se preparava para discursar perante os grevistas, o chefe do Estado garantiu que as operações policiais em curso na zona do noroeste, onde várias minas foram encerradas por greves ilegais, não se destinam a retirar direitos cívicos aos mineiros e residentes, mas a impedir violência e incitamentos à violência.

"Esta presença policial não retira o direito ao protesto a mineiros aos mineiros e residentes, desde que o façam de forma pacífica e desarmados, tal como o preveem as leis do país. As agências (da lei e da ordem) foram instruídas para serem firmes mas para respeitarem os direitos dos residentes e grevistas", disse Zuma.

Afirmando que o mesmo princípio se aplica a todas as formas de protesto, incluindo aquelas que visam os municípios por fracas condições de vida em bairros degradados, muitas vezes também particularmente violentos, o Presidente alertou os milhares de sindicalistas presentes para os custos económicos da onda de greves que varre o setor mineiro.

"Os nossos indicadores financeiros mostram que o total de produção de ouro e platina perdido em resultado das paralisações laborais nos últimos nove meses ascende a 4,5 mil milhões de rands (428 milhões de euros) e o Tesouro prevê quebras de receitas em resultado das perdas nas minas de cerca de 3,1 mil milhões de rands (295 milhões de euros)", recordou Zuma, referindo que o país não se pode deixar abater por outra recessão semelhante à que, em 2008/2009, levou à perda de "quase um milhão de postos de trabalho".

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O Presidente defendeu que a aliança entre o ANC e os sindicatos filiados na central COSATU (que governa em coligação, que inclui também o partido comunista, desde 1994) continua a ser "a mais eficaz linha de defesa dos direitos dos trabalhadores" e que ela fica reforçara com a reeleição, no primeiro dia do congresso, dos principais dirigentes da COSATU.

Zuma defendeu que as empresas mineiras têm a obrigação de fazer mais pela melhoria das condições salariais dos mineiros, mas também criticou estes por nem sempre utilizarem da melhor forma os benefícios sociais concedidos pelos empregadores.

Neste capítulo o Presidente salientou que os mineiros usam os subsídios de habitação nas suas áreas de origem, muitas vezes em regiões que distam milhares de quilómetros das minas, e optam por viver em barracas perto do local de trabalho.

O secretário-geral da COSATU, Zwelinzima Vavi, e o presidente, S'dumo Dlamini, foram reeleitos nos seus cargos no primeiro dia do 11.º congresso da maior central sindical da África do Sul.

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