Nuclear

Primeiro-ministro de Israel diz não se opor a um "bom" acordo com Irão

Primeiro-ministro de Israel diz não se opor a um "bom" acordo com Irão

O primeiro-ministro israelita, Naftali Bennett, declarou, esta terça-feira, que não se opõe a um "bom" acordo nuclear entre o Irão e as potências mundiais, mas mostrou-se cético de que seja esse o resultado das negociações em curso.

Bennett falava um dia depois de os negociadores do Irão e de cinco potências mundiais (Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia) terem retomado as conversações em Viena (Áustria) para repor o acordo nuclear assinado com Teerão em 2015, reiterando que Israel não está vinculado por qualquer acordo, deixando margem para manobras militares.

"No final, é claro que até pode haver um bom acordo", disse Bennett à Rádio do Exército israelita, acrescentando: "É isso que, neste momento, com a atual dinâmica, se espera que aconteça? Não, porque é necessária uma posição muito mais dura".

O chefe do executivo israelita negou também alegações do seu antecessor, Benjamin Netanyahu, de que concordou com uma política "sem surpresas" com Washington, o que significa que seria franco com o seu aliado quanto às suas intenções militares relativamente ao Irão e, portanto, poderia ser potencialmente prejudicado. "Israel manterá sempre o seu direito de agir e defender-se-á sozinho", frisou.

O país assistiu com preocupação ao reatamento, nas últimas semanas, das negociações dos países europeus, Rússia e China com o Irão. Teerão tem adotado uma posição bastante inflexível neste processo negocial, sugerindo que tudo o que foi discutido em anteriores rondas diplomáticas poderá ser renegociado e exigindo o alívio das sanções mesmo enquanto intensifica o seu programa nuclear.

Bennett instou os negociadores a adotarem uma posição mais firme em relação ao Irão. Israel não é parte nas conversações, mas envolveu-se numa batalha diplomática de bastidores numa tentativa de persuadir os aliados a exercerem maior pressão sobre o Irão para deter o seu programa nuclear.

Em Teerão, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hossein Amir Abdollahian, disse à televisão pública que é possível "um acordo rápido e adequado num futuro próximo", se as outras partes nas negociações demonstrarem "seriedade a par de boa-vontade".

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O acordo histórico de 2015 levantou as sanções ao Irão em troca de restrições ao seu programa nuclear. Mas, em 2018, o então Presidente norte-americano, Donald Trump, retirou os EUA do acordo e impôs novas sanções à República Islâmica, e os restantes signatários têm lutado para manter o acordo em vigor, desde então.

A mais recente ronda negocial em Viena, a oitava, iniciou-se na segunda-feira, dez dias depois de as conversações terem sido suspensas para o negociador iraniano regressar a casa para consultas. A ronda anterior, a primeira após um intervalo de mais de cinco meses causado pela chegada ao poder de um Governo de linha dura no Irão, foi marcada por tensões devido a novas exigências iranianas.

O Irão diz regularmente que as suas atividades nucleares têm fins pacíficos.

Israel considera o Irão o seu maior inimigo e opôs-se ferozmente ao acordo de 2015, argumentando que quer um acordo melhorado que imponha restrições mais severas ao programa nuclear iraniano e inclua o programa de mísseis de longo alcance do país e o seu apoio a interlocutores hostis ao longo das fronteiras israelitas.

Israel defende ainda que as negociações devem ser acompanhadas de uma ameaça militar "credível" para assegurar que o Irão não adia indefinidamente um compromisso.

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