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Primeiros-ministros britânico e irlandês reúnem-se para discutir Brexit

Primeiros-ministros britânico e irlandês reúnem-se para discutir Brexit

Os primeiros-ministros britânico e irlandês vão encontrar-se, esta quinta-feira, no noroeste de Inglaterra para falar sobre o "Brexit", acompanhados de assessores para "discussões detalhadas".

A reunião de Boris Johnson com Leo Varadkar, à hora de almoço, será "privada, para permitir que os líderes e as suas equipas tenham discussões detalhadas", segundo um comunicado do gabinete do chefe do Governo britânico, divulgado quarta-feira.

O local não foi especificado e não serão feitas declarações à imprensa.

Para sexta-feira também está marcado um encontro em Bruxelas entre o ministro para o 'Brexit' britânico, Steve Barclay, e o negociador-chefe da União Europeia (UE), Michel Barnier, para fazer um balanço sobre as negociações técnicas para alcançar um acordo de saída.

Na quarta-feira, Barnier explicou no Parlamento Europeu os argumentos para rejeitar a proposta do governo britânico de criar uma zona regulatória comum entre a Irlanda do Norte e a vizinha Irlanda para facilitar a circulação de bens agroalimentares e industriais.

"O primeiro-ministro Johnson reconhece que um alinhamento para os bens é indispensável e estamos de acordo neste aspeto. No entanto, para resolver o problema dos controlos aduaneiros, o Reino Unido propõe unicamente que, no acordo internacional que nos vai unir, exista um compromisso jurídico para evitar, em qualquer circunstância, os controlos regulatórios na fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. Obviamente, partilhamos este objetivo, mas a nossa dúvida prende-se com aceitar um sistema que não existe, não foi testado, de controlo disperso na ilha da Irlanda", indicou.

Barnier defendeu a necessidade de "controlos aduaneiros rigorosos em todos os limites do nosso território, nas fronteiras externas do nosso mercado único. Precisamos de controlos credíveis porque é a credibilidade do nosso mercado único que está em causa".

Questionou também o papel reservado à Irlanda do Norte, cujas autoridades autónomas teriam o poder de autorizar (ou revogar) o alinhamento com as regras do mercado comum naquele território todos os quatro anos.

A proposta do governo britânico pretende substituir o mecanismo de salvaguarda designado por 'backstop' e desenhado para proteger o processo de paz na Irlanda do Norte que impõe a ausência de uma fronteira física ou controlos aduaneiros na circulação de bens com a vizinha República da Irlanda, membro da UE.