Caso Pegasus

Princesas Latifa e Haya entre os alvos do software de espionagem israelita

Princesas Latifa e Haya entre os alvos do software de espionagem israelita

As princesas dos Emirados Latifa bin Mohammad al Maktoum e Haya bin Hussein estavam na lista de potenciais alvos dos clientes do spyware israelita Pegasus, denunciou, na quarta-feira, a Amnistia Internacional.

Os números de telefone das princesas, que fugiram do Dubai, constam de uma lista de cerca de 50 mil números de telemóvel de pessoas que se acredita serem do interesse de clientes da empresa israelita NSO Group.

A lista, publicada no domingo por um consórcio de 17 órgãos de comunicação internacionais, inclui os números de telefone de pelo menos 180 jornalistas, 600 políticos, 85 ativistas de direitos humanos e 65 líderes empresariais, de acordo com a análise realizada pelo consórcio, que localizou muitos em Marrocos, Arábia Saudita e México.

A descoberta dos números de telefone das princesas levantou dúvidas sobre se poderiam ser o possível alvo de um cliente governamental do grupo.

A organização de direitos humanos Amnistia Internacional emitiu uma nota, alegando que isto implica o Grupo NSO "no catálogo das violações dos direitos humanos" infligidas às duas mulheres.

Para a ONG, o spyware "pode ​​ter contribuído para privar a Princesa Latifa da sua liberdade", pois pode ter fornecido "aos seus captores" as ferramentas de que precisavam "para hackear o seu telefone e localizá-la". Quanto à Princesa Haya, o software pode ter sido usado para a "atacar" depois de ter expressado apoio à Princesa Latifa.

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A empresa NSO Group, fundada em 2011 a norte de Telavive, sempre defendeu que o seu software só era utilizado para obter informações sobre redes criminosas ou terroristas e negou "fortemente" as acusações feitas na investigação, acusando-a de estar "cheia de falsas suposições e teorias não substanciadas".

Latifa, uma entre os 25 filhos do sheik Mohammed bin Rashid al Maktoum, tentou escapar de Dubai em fevereiro de 2018. Num vídeo gravado pouco antes da sua partida, a princesa explicou que a sua vida era extremamente restrita. "Não saio do país desde 2000. Tenho pedido muito para apenas viajar, estudar, fazer qualquer coisa normal. Não deixam", disse.

A tentativa de fuga foi em vão. Uma semana depois, durante a ousada viagem marítima pelo Oceano Índico, a princesa foi apanhada por comandos que a devolveram ao Dubai.

Em fevereiro de 2021, a "BBC" transmitiu vídeos gravados secretamente pela Princesa Latifa e comunicados a amigos no exterior, nos quais descreveu a sua captura e prisão após o regresso ao Dubai. A princesa disse estar a ser mantida sozinha, sem acesso a assistência médica ou jurídica numa "villa" com janelas e portas trancadas e guardada pela polícia.

Havia preocupações na comunidade internacional de que a Princesa Latifa estaria morta, algo que a família refutou várias vezes. Em abril, Marta Hurtado, porta-voz das Nações Unidas, disse que os Emirados Árabes Unidos não forneceram provas convincentes de que ainda estava viva.

Fotografias que supostamente mostram a Princesa Latifa em público e a viajar começaram a surgir no Instagram de uma conhecida nos últimos meses. Em junho, uma nota de um escritório de advogados que afirma representar a princesa esclareceu que Latifa estará "livre para viajar aonde quiser".

Por seu lado, a Princesa Haya, ex-mulher do sheik Mohammed bin Rashid al Maktoum, acusou o ex-marido de sequestro, tortura e uma campanha de intimidação.

De acordo com os documentos de um tribunal no Reino Unido, o casamento acabou quando Haya começou a suspeitar do que aconteceu à Princesa Latifa e a outro filho do ex-marido, Sheikha Shamsa.

Haya fugiu para o Reino Unido em abril de 2019 com os seus dois filhos, os mais novos dos 25 filhos do sheik.

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