Arábia Saudita

Príncipe saudita disse a Trump que Khashoggi era um "islamita perigoso"

Príncipe saudita disse a Trump que Khashoggi era um "islamita perigoso"

O príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, disse ao presidente norte-americano, Donald Trump, que Jamal Khashoggi era um "islamita perigoso", dias depois do desaparecimento do jornalista.

A conversa telefónica entre o príncipe herdeiro saudita e o presidente dos Estados Unidos foi acompanhada pelo assessor de segurança nacional norte-americano, John Bolton, e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, segundo o "The Washington Post".

O jornal, que cita fontes conhecedoras do telefonema, revela que a conversa aconteceu depois do desaparecimento do jornalista a 2 de outubro, após entrar no consulado saudita em Istambul, na Turquia, e antes de a Arábia Saudita reconhecer o seu assassinato no dia 20.

Mohamed bin Salman tentou justificar a Donald Trump que Jamal Khashoggi pertencia à Irmandade Muçulmana (organização islâmica radical) e apelou a John Bolton e Jared Kushner da importância de Washington manter a sua forte aliança com Riade.

Um funcionário saudita negou ao "The Washington Post" que o príncipe saudita tenha feito estas afirmações.

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A família do jornalista já desmentiu a acusação de Mohamed bin Salman: "Jamal Khashoggi não pertencia à Irmandade Muçulmana. Ele negou estas acusações repetidamente ao longo dos últimos anos".

"Jamal Khashoggi não era uma pessoa perigosa. Dizer o contrário é ridículo", acrescentou a família do jornalista saudita.

Jamal Khashoggi, 60 anos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 02 de outubro, para obter um documento para se casar com uma cidadã turca e nunca mais foi visto.

Khashoggi era apontado como uma das vozes mais críticas da monarquia saudita e residia nos Estados Unidos desde 2017, sendo colaborador do jornal "The Washington Post".

A Arábia Saudita reconheceu que o jornalista foi morto no seu consulado em Istambul durante uma luta, referindo que 18 sauditas estão detidos como suspeitos, segundo a agência oficial de notícias SPA.

A mesma agência revelou também que um conselheiro próximo do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, foi demitido, juntamente com três líderes dos serviços de inteligência do reino e oficiais.

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