Tragédia em Itália

Procurador de Génova diz que queda da ponte "foi erro humano"

Procurador de Génova diz que queda da ponte "foi erro humano"

A Procuradoria de Génova abriu um inquérito por negligência e homicídio múltiplo, na sequência da queda do viaduto que matou pelo menos 39 pessoas.

"Não foi uma fatalidade, foi erro humano", disse, aos jornalistas, o procurador principal de Génova, Francesco Cozzi, após uma visita, esta quarta-feira de manhã, à zona do viaduto que colapsou.

"Temos de responder apenas a uma questão - porque aconteceu isto? Esta é a nossa tarefa e devemos fazer tudo o que for necessário para encontrar a resposta", disse aquele magistrado, anunciando a abertura de um inquérito por negligência homicídio múltiplo.

O balanço mais recente ao acidente aponta para 39 mortos e 16 feridos, 12 dos quais em estado grave. Segundo as autoridades italianas, há ainda vários desaparecidos. Entre as vítimas mortais há três crianças, com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos.

"Quando terminar a fase da busca de vítimas e de eventuais desaparecidos o inquérito entrará noutra fase e serão analisados todos os aspetos relativos à proteção, realização de trabalhos e manutenção da ponte", acrescentou.

Na terça-feira, parte da ponte Morandi, que fica na autoestrada 10 (A10) em Génova, no norte da Itália, desabou e dezenas de automóveis e camiões também acabaram por cair.

Questionado pelos jornalistas, Cozzi admitiu que os tirantes, a imagem de marca da ponte, também devem ser analisados. "As verificações devem ser feitas, mas por enquanto só podemos falar de numa maneira genérica, mas vamos ter de nos focar em muitas ideias: desenho, construção, manutenção até mesmo o desgaste de peças devido à enorme quantidade de trânsito", acrescentou.

"Todas as fontes documentais e verbais devem ser tidas em conta para reconstruir o trabalho que foi feito, as intervenções efetuadas e as planeadas", acrescentou o procurador genovês. "Sabemos, com toda a certeza, que foram feitas declarações no passado e que agora serão aprofundadas, como aquelas, em 2012, que diziam que esta estrutura estaria em colapso ao fim de 10 anos", disse Francesco Cozzi.

"Temos de perceber se foram polémicas políticas ou afirmações de fontes qualificadas com base em dados", concluiu o procurador de Génova.

Na terça-feira, parte da ponte Morandi, que fica na autoestrada 10 (A10) em Génova, no norte da Itália, desabou e dezenas de automóveis e camiões também acabaram por cair.