Itália

Procurador manda o Open Arms entrar em Lampedusa para desembarcar migrantes

Procurador manda o Open Arms entrar em Lampedusa para desembarcar migrantes

O procurador de Agrigento, na Sicília, Luigi Patronaggio, ordenou, esta terça-feira, que o navio Open Arms atraque em Lampedusa, para desembarcar a quase uma centena de migrantes que se encontra a bordo. O magistrado ordenou que o navio fosse apreendido, para que os migrantes pudessem finalmente chegar a terra.

O procurador, que investiga um alegado crime de sequestro do ministro do Interior, Matteo Salvini, por ter obrigado o navio humanitário a permanecer no mar com os migrantes a bordo, tomou a decisão de apreender o navio, depois de ter visitado o Open Arms, fundeado a 800 metros da costa de Lampedusa, Itália. "A situação no barco é explosiva, de máxima urgência".

O navio humanitário "Open Arms" resgatou, em 01 de agosto, 134 pessoas do mar Mediterrâneo ao largo da Líbia, mas os dois países mais próximos, Itália e Malta, recusaram-lhe o acesso aos seus portos.

Duas semanas depois, a organização não-governamental espanhola que opera o navio, a Proativa Open Arms, avisou que a situação estava "fora de controlo", num vídeo gravado numa lancha frente ao navio.

"A partir de hoje não nos podemos sentir responsáveis nem garantir a segurança dos 134 migrantes e dos 19 voluntários da tripulação que estão sequestrados no 'Open Arms', porque já é impossível manter a calma. A qualquer momento pode acontecer um motim e nós não o poderemos travar", alertou a ONG.

No sábado, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, autorizou o desembarque de 29 menores a bordo do navio, e, no dia seguinte, o Governo espanhol propôs receber o navio em Algeciras face à "inconcebível" recusa de Itália em autorizar o desembarque.

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No entanto, a "Open Arms" declinou a oferta, tendo uma porta-voz explicado ser impossível viajar até Algeciras dada a "situação insustentável" a bordo.

"Há ansiedade, episódios de violência, o controlo da situação é cada vez mais difícil. Iniciar uma viagem de seis dias com estas pessoas a bordo, que estão no limite das suas possibilidades, seria uma loucura. Não podemos pôr a saúde e a vida delas em risco", disse.

Horas antes, a organização colocou um vídeo na rede social Twitter mostrando que alguns dos migrantes se lançaram ao mar, para tentar chegar a Lampedusa a nado, sendo salvos por socorristas.

Embora o navio estivesse a menos de um quilómetro da ilha de Lampedusa, onde a ONG pede para atracar, a Itália continuava a recusar autorização para desembarque, aumentando o desespero e provocando que, só hoje, já 15 pessoas se tenham lançado ao mar para tentar nadar até à ilha italiana.

A Agência de Refugiados da ONU pediu hoje que seja encontrada uma solução para as pessoas que estão há 19 dias sem permissão para desembarcar.

"A questão é muito simples, têm de poder desembarcar em terra", defendeu um porta-voz da agência da ONU, lembrando que seis países da União Europeia já se ofereceram para receber os cerca de 100 migrantes, assim que estes deixarem o navio.

Por seu lado, a Comissão Europeia insistiu que o desembarque e cuidado dos migrantes a bordo do "Open Arms" devem ser "prioridade para os Estados e ONG" da União Europeia.

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