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Produtores brasileiros de sumo de laranja negam acusações de exploração

Produtores brasileiros de sumo de laranja negam acusações de exploração

Produtores brasileiros de sumo de laranja negaram, esta terça-feira, acusações de um grupo de ONG de exploração de trabalhadores e garantiram que respeitam a legislação laboral do país e são submetidos a auditorias e fiscalizações.

"Não tem como supor que as empresas estejam envolvidas com qualquer tipo de problema laboral, vemos com extrema estranheza esse tipo de denúncia", afirmou Ibiapaba Netto, diretor da CitrusBR, a associação de exportadores brasileiros de cítricos.

Na segunda-feira, um grupo de membros das organizações não-governamentais Traidcraft e Fairtrade e trabalhadores do setor denunciaram no Parlamento Europeu supostas combinação de preços, formação de cartel e exploração de agricultores por exportadoras brasileiras.

As empresas citadas foram a Cutrale, Louis Dreyfus, Citrosuco e Citrovita, as duas últimas unidas por fusão aprovada pelo regulador brasileiro em 2011, todas representadas pela CitrusBr.

Somadas, as empresas representam 85% do sumo de laranja produzido no mundo, e 80% do consumido na Alemanha. Entre as marcas que usam a bebida produzida no Brasil estão o Lidl e o Aldi, ambos presentes em Portugal.

Ibiapaba Netto realçou que as empresas possuem certificações, inclusive europeias, e que as ONG podem ter encontrado algum grupo de trabalho submetido a más condições por algum produtor, mas isso "está longe da realidade da indústria das grandes empresas", e afirmou que a legislação laboral brasileira para o setor é a "mais dura do mundo".

Sobre a suposta formação de cartel, a CitrusBR afirmou que o mercado é concentrado, pois há poucos grandes produtores, mas assegurou que há "concorrência real entre as empresas".

Segundo Ibiapaba Netto, o preço da tonelada de laranja caiu cerca de 300 dólares (222 euros) por tonelada, o que rebate a ideia de combinação de preços.

A empresa Cutrale, que respondeu separadamente mas também é membro da CitrusBR, afirmou ter "mais de 18 mil empregados, todos devidamente registados, recebendo salários e benefícios previstos não só na legislação trabalhista brasileira, como também nos acordos coletivos de trabalho".

A empresa realçou também que possui todos os equipamentos de segurança.

Os grupos denunciantes reuniram-se, em Bruxelas, com a eurodeputada socialista portuguesa Ana Gomes, a também portuguesa Maria do Céu Patrão Neves, o maltês David Casa e o irlandês Guy Mittchell, estes três do Partido Popular Europeu.

A principal zona de produção de sumo de laranja no Brasil é o interior de São Paulo e o sul de Minas Gerais.

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