Pandemia

Protestos mundiais, atrasos nas vacinas e a esperança no tratamento

Protestos mundiais, atrasos nas vacinas e a esperança no tratamento

Os Países Baixos sofreram um segundo surto de violência durante a noite de segunda-feira e madrugada de hoje, organizado por opositores ao recolher obrigatório, determinado para diminuir o risco de contágio com o novo coronavírus.

O recolher obrigatório imposto no país este fim de semana, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, levou a motins, confrontos entre manifestantes e a polícia, bem como vandalismo contra empresas em Amesterdão, Roterdão e Haia, mas também noutras grandes cidades como Amersfoort, Geleen, Den Bosch e Haarlem.

Até às 22 horas de segunda-feira (hora de Lisboa), mais de 70 pessoas tinham sido detidas, de acordo com a televisão pública holandesa NOS.

Na segunda-feira à noite, os autarcas de várias cidades anunciaram que iam introduzir medidas de emergência para tentar evitar mais agitação.

O autarca de Roterdão, por exemplo, Ahmed Aboutaleb, emitiu um decreto que autoriza a polícia a aumentar o número de detenções.

Já na noite anterior, a polícia tinha detido 250 pessoas durante motins semelhantes em várias cidades.

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O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, tinha condenado a "violência criminosa" e falou nos "piores tumultos dos últimos 40 anos".

"Isto não tem nada a ver com a luta pela liberdade. Não tomamos todas estas medidas para nos divertirmos. Estamos a fazê-lo porque estamos a combater o vírus e é o vírus que nos está a tirar a liberdade neste momento", acrescentou o chefe do Governo.

Episódios contra as restrições também surgiram na segunda-feira em Tripoli, a capital da Líbia, onde as forças de segurança tiveram de conter jovens manifestantes que tinham como alvo as sedes das autoridades locais.

A Cruz Vermelha Libanesa comunicou mais de 30 feridos. O país prolongou um confinamento rigoroso até 8 de fevereiro.

No dia anterior, num bairro de Telavive em Israel, a polícia entrou em confronto com judeus ultraortodoxos que protestavam contra o confinamento.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, elogiou a o uso de força da polícia, que deteve 13 pessoas.

A paciência das pessoas está a ser testada por uma pandemia que, durante o ano passado, as privou de liberdades.

Em França, por exemplo, já sob recolher obrigatório noturno, o Governo deverá decidir esta semana sobre um possível confinamento, que a acontecer será o terceiro.

As restrições estão a ser mantidas ou reforçadas, embora a vacinação tenha começado há um mês: mais de 63,5 milhões de doses de vacina foram administradas em pelo menos 68 países ou territórios, de acordo com uma contagem da agência de notícias France-Presse (AFP).

A covid-19 matou pelo menos 2,1 milhões de pessoas e infetou mais de 99,1 milhões em todo o mundo, de acordo com o balanço feito pela AFP na segunda-feira.

O México ultrapassou as 150 mil mortes. E os Estados Unidos continuam a ser o país com mais óbitos, ultrapassando os 420 mil óbitos.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, deu a conhecer a sua perspetiva sobre o cenário que se avizinha nos Estados Unidos: "Estou confiante de que no Verão estaremos muito mais próximos da imunidade coletiva".

Questionado sobre quando todos os norte-americanos que querem a vacina a poderão receber, o novo Presidente disse: "Primavera".

Uma réstia de esperança no dia em que a Califórnia aliviou algumas restrições, graças a uma ligeira melhoria da situação nos hospitais. O estado mais populoso do país tinha determinado uma proibição de reuniões e atividades não essenciais no início do mês passado.

No entanto, o aparecimento e propagação de variantes do coronavírus, que são consideradas mais contagiosas e potencialmente letais, aumentou ainda mais o desafio da imunização.

A empresa norte-americana de biotecnologia Moderna, criadora de uma das primeiras vacinas disponíveis, anunciou na segunda-feira que a fórmula continua a ser eficaz contra as variantes, particularmente a britânica.

Mas também observou menos proteção contra a variante sul-africana. "Apesar desta redução", os níveis de anticorpos "permanecem acima do que é esperado e necessário para proporcionar proteção", tranquilizou.

No entanto, a Moderna irá, "como medida de precaução", lançar ensaios para testar uma dose adicional desenvolvida especificamente contra esta variante.

BioNTech e Pfizer, os fabricantes da principal vacina do mundo, asseguraram que a vacina é eficaz contra a mutação N501Y, que foi observada em particular na variante britânica e que é suspeita de a tornar mais contagiosa.

Contudo, os testes laboratoriais não incluíram a mutação (E484K) observada na variante sul-africana.

As campanhas de vacinação estão também a enfrentar atrasos na entrega, nomeadamente na Europa.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, telefonou na segunda-feira ao responsável do laboratório britânico AstraZeneca para exigir que honrasse as entregas.

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