Protesto

Protestos na Colômbia contra Governo paralisam comércio e tráfego

Protestos na Colômbia contra Governo paralisam comércio e tráfego

Os protestos na Colômbia começaram, na quinta-feira, com um dia de greve nacional contra o Governo do Presidente Ivan Duque, paralisando praticamente todo o comércio e o trânsito nas ruas de várias cidades.

Desiludidos com o chefe de Estado conservador no poder desde agosto de 2018, sindicatos e organizações estudantis, indígenas, ambientais e de oposição saíram às ruas com uma longa lista de queixas, desde a persistente desigualdade económica à violência contra ativistas sociais, sustentando assim a onda de descontentamento que a América Latina tem vivido nos últimos meses.

As primeiras manifestações surgiram nas universidades públicas de Bogotá, Medellín e Cali, com os estudantes a segurar cartazes com frases como "O governo não investe na educação por medo de emancipação" ou "Mais salários, menos impostos".

Houve paralisações nos sistemas de transporte público de várias cidades, como em Cali e Barranquilla.

A pérola do turismo na Colômbia, a cidade portuária de Cartagena, amanheceu com a maioria das lojas encerradas, enquanto uma multidão avança em direção ao centro histórico.

Os primeiros incidentes surgiram em Suba, um bairro no noroeste de Bogotá, onde houve confrontos entre o esquadrão antimotim da polícia (ESMAD) e manifestantes que bloquearam a Avenida Suba.

No tradicional bairro de Chapinero, na capital, homens encapuzados atiraram tinta às estações do sistema de transporte público TransMilenio e escreveram insultos contra o Governo em autocarros.

Para as organizações sindicais, o "pacote" de reformas do Presidente Duque pretende acabar com o fundo estatal de pensões, aumentar a idade da reforma e contratar jovens com ordenados inferiores ao salário mínimo, entre outras medidas que o próprio Presidente afirma não terem sido propostas pelo seu Governo.

Outros setores sociais contestam o acordo de paz do Governo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o assassínio de indígenas e líderes sociais, a corrupção e as privatizações, e alegados incumprimentos dos compromissos do Governo em matéria de recursos para a educação.

Num discurso transmitido na quarta-feira, o Presidente admitiu a legitimidade de algumas reivindicações, enquanto lamentava uma campanha contra o seu Governo com base em "mentiras" e que suscita violência.

"Reconhecemos o valor do protesto pacífico, mas também garantimos a ordem", assegurou Duque.

A administração colombiana mobilizou 170.000 polícias para reforçar a segurança, ordenou o encerramento das fronteiras marítimas e terrestres e deportou 24 venezuelanos acusados de entrar no país para "incitar à violência".

Ao contrário de outros protestos recentes, não há um evento singular que desencadeie as manifestações, mas uma série de queixas que variam amplamente.

A economia do país sul-americano tem crescido mais rapidamente este ano, mas ainda tem um dos níveis mais altos de desigualdade na região, onde quase 11% dos colombianos estão desempregados, um número que aumenta para 17,5% entre jovens adultos.

Para o líder estudantil Jose Cardenas, "o que aconteceu no Chile enviou uma mensagem forte", adiantando que os manifestantes irão avaliar as ações para os próximos dias.

No entanto, os analistas duvidam que o protesto na Colômbia se assemelhe às manifestações no Chile e noutros países, observando variações importantes, mesmo perante alguns fatores económicos subjacentes semelhantes, como a forte desigualdade e o aumento do custo de vida.

"Não estamos num clima pré-insurrecional", disse Yann Basset, professor da Universidade Rosário em Bogotá, não estando certo de que exista "uma rejeição geral do sistema político".

Segundo o professor Basset, os eleitores rejeitaram amplamente o partido no Governo colombiano nas eleições regionais em outubro, sugerindo que muitas pessoas ainda acreditam numa mudança através dos partidos da oposição.

Em comunicado, o gabinete colombiano do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já se manifestou preocupado com os protestos de hoje, afirmando que "os Estados devem limitar e condicionar ao máximo o uso de forças militares para o controlo de distúrbios internos".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG