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Publicado o último artigo científico de Stephen Hawking

Publicado o último artigo científico de Stephen Hawking

O último trabalho científico de Stephen Hawking foi publicado pelos colegas físicos que trabalharam com o famoso cosmologista, falecido em março. Centra-se na questão que absorveu o físico britânico nos últimos 40 anos.

"O ar suave e entropia dos buracos negros", o último artigo científico elaborado por Stephen Hawking, em co-autoria com Malcolm Perry, professor de física teórica na Universidade de Cambridge, centra-se numa das questões mais importantes da carreira do físico britânico, que durante 40 anos trabalhou para perceber o que acontece à informação de um objeto quando este entra num buraco negro.

O último trabalho de Hawking versa sobre o que os físicos chamam de "paradoxo da informação" e foi agora publicado e colocado online por colegas das Universidades de Cambridge e Harvard, que passaram a escrito as últimas conclusões de Hawking sobre o tema que o apaixonou e cujas bases foram estabelecidas por Albert Einstein, em 1915, na Teoria Geral da Relatividade, peça central da física moderna.

Um dos aspetos da Teoria Geral da Relatividade, que faz uma descrição unificada da gravidade como uma propriedade geométrica do espaço e do tempo, ou espaço-tempo, é a da existência de buracos negros, áreas do cosmos em que o espaço e o tempo são distorcidos de tal forma que nada pode escapar, nem mesmo a luz.

Segundo Einstein, um buraco negro pode ser definido por apenas três aspetos: massa, carga e rotação. Quase 60 anos depois, nos idos dos anos 70 do século XX, Hawking acrescentou a temperatura à equação. Como os objetos quentes perdem calor no espaço, o destino final dos buracos negros é a evaporação, postulou.

Mas isso criou um problema aos físicos, pois de acordo com as leis da física quântica, a informação de um objeto nunca se perde. Surge aí a questão que ocupou muito da vida de Hawking nos últimos 40 anos. Que acontece à informação de um objeto quando este cai num buraco negro?

Neste último artigo, Hawking e os colegas demonstram como alguma informação pode ser preservada. Ao atirar um objeto para um buraco negro, a temperatura do buraco negro vai mudar. Também a entropia, a grandeza termodinâmica que mede o grau de irreversibilidade de um sistema, de cujo exemplo mais comum é o gelo a derreter num copo.

Os físicos que trabalharam com Hawking, que incluem ainda Sasha Haco, de Cambridge, e Andrew Strominger, de Harvard, provaram que a entropia dos buracos negros pode ser registada por fotões, a que chamaram de "ar suave", que rodeiam o horizonte dos buracos negros a um ponto tal que a própria luz não consegue escapar à intensa força gravitacional.

"O que este artigo prova é que o ar suave se aplica à entropia", disse Malcolm Perry, co-autor do artigo, em declarações ao jornal britânico "The Guardian".

"Não sabemos se a teoria da entropia de Hawking se aplica para tudo o que se atira para um buraco negro. Este é apenas um pequeno passo num caminho longo", disse Perry. "Achamos que é um passo realmente muito importante, mas há ainda muito caminho a fazer", acrescentou o físico, que trabalhou com Hawking neste último artigo.

"Hawking descobriu que os buracos negros têm temperatura. Para os objetos comuns, sabemos que isso se deve ao movimento microscópico dos constituintes do sistema. Por exemplo, a temperatura do ar deve-se ao movimento das moléculas: quanto mais depressa se movem, mais quente é o ar", argumentou Juan Maldacena, professor de física teórica no Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

"Para os buracos negros, não é claro quais são esses constituintes e de que forma podem ser associados. Em alguns sistemas, as propriedades térmicas podem ser calculadas em função de certas simetrias. Este artigo mostra que perto do horizonte dos buracos negros há uma destas simetrias especiais", acrescentou, em declarações ao mesmo jornal.

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