Defesa

Putin visita na terça-feira manobras militares no Extremo Oriente

Putin visita na terça-feira manobras militares no Extremo Oriente

O Presidente russo, Vladimir Putin, visitará na próxima terça-feira, 6 de setembro, as manobras militares Vostok-2022 no Extremo Oriente russo, nas quais participam mais de 50 mil efetivos da Rússia e de países aliados, China incluída.

"O Presidente visitará a fase ativa dos exercícios a 6 de setembro", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Os exercícios militares, que se prolongarão até 7 de setembro, são dirigidos pelo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas da Rússia, general Valeri Guerasimov, e decorrem em sete zonas do distrito militar oriental e nas águas dos mares de Okhotsk e do Japão.

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Estas manobras destinam-se a ensaiar ações de grupos da coligação e de diversos tipos de unidades para "garantir a segurança militar da Federação da Rússia e dos Estados aliados na zona de responsabilidade da circunscrição militar oriental", segundo o Ministério da Defesa russo.

Durante estes exercícios, as tropas vão realizar tarefas conjuntas para o "desenvolvimento prático de ações defensivas e ofensivas", simulando ações "de manutenção de paz" e de proteção de "interesses comuns", referiu a mesma fonte.

Este ano, os exercícios Vostok no Extremo Oriente russo contam apenas com um sexto dos militares que neles participaram há quatro anos: 50 mil operacionais, além de cinco mil armas e outros equipamentos militares, como 140 aviões e 60 navios de guerra, botes e embarcações.

E em Vostok-2018 chegaram a estar mobilizados mais de 300 mil militares, o que transformou tais manobras na maior exibição de força por parte da Rússia desde o período da Guerra Fria.

Vostok-2018, onde tropas russas e chinesas se exercitaram juntas pela primeira vez na sua história, também contou com uma visita do chefe de Estado russo, Vladimir Putin, à zona onde decorriam as manobras militares.

No entanto, em Vostok-2018, só participaram contingentes militares de dois países - China e Mongólia - em vez dos 13 que estarão presentes na edição deste ano: China, Índia, Bielorrússia, Azerbaijão, Argélia, Arménia, Quirguistão, Mongólia, Tajiquistão, Nicarágua, Síria, Cazaquistão e Laos.

Estas manobras militares realizam-se no contexto de uma guerra russa em curso na Ucrânia desde 24 de fevereiro com o propósito, anunciado por Putin, de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia, que considera não ser um Estado independente, mas um território pertencente à Grande Rússia, que quer restaurar, assim conquistando o protagonismo que ambiciona ter na história do país.

Para tal objetivo, já anexou, em 2014, a península ucraniana da Crimeia e trava, desde a mesma data, combates no Donbass, no leste do território ucraniano, com o contributo de separatistas pró-russos, tendo já aí reconhecido a independência de duas "Repúblicas Pró-Russas": os territórios ucranianos de Donetsk e Lugansk.

Para invadir a Ucrânia, contou com a ajuda da Bielorrússia, presidida pelo seu aliado Aleksandr Lukashenko, que autorizou tropas russas a concentrar-se ao longo da sua fronteira com o território ucraniano para a partir daí iniciarem a ofensiva.

Esta causou até agora a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento e ajuda humanitária para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas, a guerra, que hoje entrou no seu 191.º dia, matou pelo menos 5.663 civis e feriu 8.055, números confirmados pela ONU, que sublinha estarem muito aquém dos reais.

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