Crise

Qatar sem meios próprios para abastecer de gás a Europa em caso de "corte" da Rússia

Qatar sem meios próprios para abastecer de gás a Europa em caso de "corte" da Rússia

O Qatar não tem capacidade para "salvar" a Europa caso a Rússia corte o fornecimento de gás devido à escalada de tensões na Ucrânia, referiram esta terça-feira o ministro da Energia catari e uma autoridade da União Europeia (UE).

O Qatar é um dos maiores produtores de gás liquefeito do mundo, o que pode constituir uma ajuda à União Europeia se a Rússia cortar o abastecimento devido à crise na Ucrânia.

No entanto, esta nação está no máximo da sua capacidade de produção e tem de honrar os contratos de longa duração com países asiáticos.

O ministro da Energia do Qatar, Saad al-Kaabi, referiu à comissária da Energia da UE, Kadri Simson, que o Qatar está disponível para ajudar a Europa "se necessário".

Mas o país do Médio Oriente acrescentou, durante uma videoconferência, que espera que as tensões relacionadas com a Ucrânia possam ser resolvidas através da diplomacia.

Os Estados Unidos abordaram a possibilidade do Qatar fornecer gás aos países europeus, um tema-central que esteve na agenda do diálogo entre o Presidente Joe Biden e o emir do Qatar, Tamin bin Hamad al Zani, que decorreu na segunda-feira na Casa Branca.

Apesar da disponibilidade, o ministro catari lembrou que "o volume de gás de que a UE precisa não pode ser substituído unilateralmente por ninguém sem interromper o fornecimento a outras partes do mundo".

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"A segurança energética da Europa exige um esforço coletivo de muitas partes", frisou.

A Europa só pode receber suprimentos de emergência se os principais clientes do leste asiático, como Japão e Coreia do Sul, concordarem em reorganizar algumas das suas entregas, revelaram especialistas.

Os Estados Unidos também discutiram com a Austrália o fornecimento de gás e podem fornecer o seu próprio gás natural.

Os especialistas do setor alertaram que os consumidores europeus, que já sofrem com os altos preços do gás natural, terão que pagar ainda mais em caso de entregas especiais.

Os Estados Unidos e os seus aliados ocidentais acusam Moscovo de ter concentrado mais de 100.000 soldados junto à fronteira com a Ucrânia na perspetiva de invasão do país vizinho.

O Kremlin tem sistematicamente negado essa intenção e salienta inquietações sobre a sua segurança, exigindo garantias como o não alargamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), em particular à Ucrânia.

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